Gustavo Azevedo representa parte das pacientes que denunciaram Rossini Tebaldi Ruback em 2023 e afirma que processos ainda enfrentam demora; morte da empresária de 31 anos é investigada pela Polícia Civil
A morte da empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, após um procedimento cirúrgico realizado em Ilhéus, trouxe novamente ao debate público denúncias feitas em 2023 por mulheres que relataram complicações após procedimentos realizados pelo cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback.
O caso envolvendo a morte de Adriele é investigado pela Polícia Civil, enquanto o advogado Gustavo Azevedo, que representa parte das mulheres que denunciaram o médico há três anos, defendeu uma atuação mais presente das autoridades diante do histórico de reclamações e processos relacionados aos casos de suas clientes.
Adriele, que morava nos Estados Unidos, estava no Brasil e foi submetida a quatro procedimentos: mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma. A causa da morte ainda é objeto de apuração pelas autoridades competentes.
Em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, Gustavo Azevedo afirmou que passou a representar parte das mulheres em 2023, quando mais de 30 pacientes passaram a compartilhar relatos e denúncias sobre experiências após procedimentos realizados pelo médico.
Segundo o advogado, ele orientou as mulheres que representava a formalizarem denúncias junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), além das medidas judiciais cabíveis.
“Sensação de impunidade”, afirma advogado
Ao comentar a situação das pacientes que representa, Gustavo Azevedo afirmou que muitas ainda enfrentam consequências emocionais relacionadas aos procedimentos e à longa tramitação dos processos.
Segundo ele, existem ações judiciais que ainda aguardam etapas importantes mesmo após anos de tramitação. O advogado afirmou, por exemplo, que há processo com aproximadamente três anos que ainda não teve audiência.
Gustavo também confirmou que, em dois processos envolvendo mulheres que representa, magistrados declararam suspeição. Questionado sobre uma eventual proximidade do médico com integrantes do Judiciário, entretanto, o advogado reconheceu não possuir elementos que permitam fazer qualquer afirmação conclusiva sobre influência ou interferência.
Essa distinção é fundamental: suspeitas, impressões ou rumores não podem ser apresentados como fatos sem provas e confirmação pelas autoridades competentes.
Apelo ao Ministério Público
Diante da quantidade de denúncias relatadas por suas clientes, Gustavo Azevedo defendeu uma atenção maior dos órgãos públicos e fez um apelo para que o Ministério Público acompanhe com maior proximidade os fatos relacionados às denúncias.
O advogado também mencionou uma informação divulgada pelo O Tabuleiro sobre a situação administrativa do centro cirúrgico onde Adriele realizou os procedimentos. Entretanto, qualquer irregularidade relacionada ao funcionamento da unidade ou a eventuais autorizações deve ser confirmada formalmente pelos órgãos responsáveis pela fiscalização antes de ser tratada como fato definitivo.
A eventual existência de irregularidades administrativas e sua possível relação com a morte da paciente são questões que dependem de apuração técnica e oficial.
O que dizem as informações divulgadas até agora
A morte de Adriele ocorreu durante um procedimento cirúrgico realizado em Ilhéus e está sendo investigada pela Polícia Civil. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a 1ª Delegacia Territorial de Ilhéus instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do caso.
A defesa de Rossini Tebaldi Ruback afirmou que o procedimento transcorreu sem intercorrências até a fase final, quando Adriele teria apresentado uma alteração súbita e grave no quadro clínico. Segundo a versão apresentada pela defesa, a situação seria compatível com hipertermia maligna, uma condição rara e potencialmente fatal associada à suscetibilidade individual a determinados agentes anestésicos.
A defesa sustenta que medidas de emergência foram adotadas imediatamente e nega negligência médica. O profissional também afirmou, por meio de sua assessoria jurídica, estar à disposição das autoridades e dos órgãos competentes para prestar esclarecimentos.
Denúncias de 2023 e posição do Cremeb
O nome do médico já havia sido alvo de denúncias públicas em 2023. Naquele período, pacientes de diferentes cidades da Bahia relataram complicações e problemas após procedimentos cirúrgicos e procuraram autoridades e órgãos de fiscalização.
A defesa do médico, à época e também nos posicionamentos recentes divulgados pela imprensa, contestou acusações de irregularidades e negligência.
Recentemente, o Cremeb informou que não há processo ético-profissional em tramitação no Tribunal de Ética Médica envolvendo o médico em relação ao procedimento que resultou na morte de Adriele. Sobre as denúncias anteriores, o Conselho informou que os resultados foram comunicados às partes, mas os detalhes dos procedimentos são protegidos pelas regras de sigilo previstas no Código de Processo Ético-Profissional.
O caso de Adriele, portanto, não deve ser confundido com as denúncias anteriores. São situações distintas, embora o histórico de reclamações tenha voltado ao debate público após a morte da empresária.
Apuração precisa separar denúncias, defesa e responsabilidade
A morte de uma paciente durante ou após um procedimento cirúrgico é um fato grave e exige investigação técnica, independente e transparente. Da mesma forma, denúncias feitas anteriormente por pacientes merecem ser analisadas dentro dos procedimentos legais e administrativos previstos.
Mas há uma linha que o jornalismo responsável não pode ultrapassar: denúncias não equivalem, por si só, a condenações, e a investigação da morte de Adriele ainda precisa estabelecer oficialmente suas circunstâncias e eventual responsabilidade.
O interesse público, neste momento, exige respostas. Cabe à Polícia Civil esclarecer as circunstâncias da morte, aos órgãos de fiscalização examinar eventuais questões administrativas e técnicas e, caso sejam identificados elementos que justifiquem responsabilização, ao Ministério Público e à Justiça adotar as medidas previstas em lei.
Até a conclusão das investigações, qualquer tentativa de antecipar culpados pode comprometer a precisão dos fatos. Mas também seria um erro ignorar que as denúncias anteriores agora voltaram ao centro do debate e que pacientes que se dizem vítimas aguardam respostas há anos.
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