Decisões foram tomadas nesta terça-feira (25), durante audiências de custódia; seis investigados são relacionados ao ataque que matou José Alexandre Souza Borges e um sétimo responde por fatos envolvendo artefato explosivo e objetos usados em confrontos
A Justiça da Bahia decretou, nesta terça-feira (25), a prisão preventiva de sete pessoas investigadas por episódios de violência registrados antes do clássico Ba-Vi, realizado no último domingo (23), em Salvador.
As decisões foram tomadas pela 1ª Vara das Garantias da Capital, durante audiências de custódia, após o Ministério Público da Bahia (MPBA) se manifestar favoravelmente à conversão das prisões em flagrante em preventivas. Segundo o MPBA, a medida teve como fundamentos a necessidade de preservar as investigações e garantir a ordem pública.
Seis investigados estão ligados ao ataque que matou torcedor
Seis dos investigados tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva por suspeita de participação em um ataque ocorrido na Avenida 29 de Março, na região de Cajazeiras VIII.
O episódio terminou com a morte do torcedor José Alexandre Souza Borges e deixou outras pessoas feridas.
Segundo os elementos apresentados na investigação e considerados na decisão judicial, o ataque teria envolvido um grupo numeroso de integrantes da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI), ligada ao Vitória, que teria utilizado veículos para interceptar torcedores rivais.
Ainda de acordo com o MPBA, durante a ação teriam sido utilizados facas, barras de ferro, pedaços de madeira, socos-ingleses, pedras e artefatos explosivos improvisados.
Vestígios de sangue e soco-inglês estão entre os elementos citados
A decisão judicial considerou diferentes elementos reunidos durante a investigação.
Um dos investigados teria sido reconhecido por vítimas como participante direto das agressões e apontado como ocupante de um dos veículos utilizados na ação. Com ele, segundo o MPBA, foram encontrados um soco-inglês e vestimentas com vestígios de sangue.
Outros três investigados teriam sido localizados entre 15 e 30 minutos depois dos fatos, a aproximadamente 300 metros do local do ataque. Conforme o Ministério Público, eles estavam junto a integrantes da torcida organizada e apresentavam manchas aparentes de sangue em roupas, calçados ou no próprio corpo.
Esses elementos, segundo o MPBA, foram considerados relevantes para o avanço da investigação.
Justiça aponta gravidade e possível ação planejada
Ao acolher o parecer do Ministério Público, a Justiça destacou a gravidade concreta dos acontecimentos.
Segundo a decisão divulgada pelo MPBA, José Alexandre sofreu múltiplas perfurações provocadas por arma branca, enquanto outras vítimas teriam precisado buscar refúgio em áreas de mata e barrancos para escapar das agressões.
A decisão também apontou indícios de que a ação teria sido planejada e executada por um grupo numeroso, com utilização de diferentes instrumentos ofensivos.
Para o Judiciário, esse contexto justificou a manutenção da prisão cautelar dos investigados.
Sétimo investigado foi preso com explosivo e outros objetos
Em um procedimento separado, também relacionado aos episódios de violência envolvendo torcidas organizadas, a Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante de um sétimo investigado.
Segundo o MPBA, ele foi abordado por policiais militares na Avenida Afrânio Peixoto, no bairro do Lobato, enquanto estava em um veículo com outros integrantes da torcida organizada Os Imbatíveis.
Durante a abordagem, foram apreendidos, segundo os autos, um artefato explosivo artesanal, rojões, socos-ingleses, canivetes, barras de ferro, tinta spray, cordas, faixas e outros materiais associados à torcida organizada.
Conforme registrado na decisão, o próprio investigado teria declarado, durante interrogatório, que transportava barras de ferro para um eventual confronto com torcedores rivais.
O Ministério Público sustentou que a quantidade e a natureza dos materiais apreendidos representavam risco concreto à ordem pública. O argumento foi acolhido pelo Judiciário.
Prisão preventiva não significa condenação
Apesar da gravidade dos fatos investigados, é fundamental destacar que os sete presos são investigados e não foram condenados pelos crimes que estão sendo apurados.
A prisão preventiva é uma medida cautelar prevista na legislação brasileira e pode ser determinada durante a investigação ou o processo quando presentes os requisitos legais. Ela não equivale a uma sentença condenatória nem determina, por si só, a responsabilidade criminal definitiva dos investigados.
As investigações continuam para esclarecer a participação individual de cada envolvido nos diferentes episódios de violência registrados antes do clássico.
Ba-Vi terminou marcado pela violência fora do estádio
O confronto entre Bahia e Vitória aconteceu no domingo (23), no Barradão, mas os episódios de violência ocorreram em diferentes pontos de Salvador antes da partida.
A morte de José Alexandre Souza Borges provocou forte repercussão e reacendeu o debate sobre a atuação das torcidas organizadas e a segurança nos dias de clássicos do futebol baiano.
A Secretaria da Segurança Pública da Bahia também criticou publicamente os episódios de violência e defendeu uma discussão sobre o funcionamento das torcidas organizadas.
O caso agora segue sob investigação das autoridades, enquanto os sete investigados permanecem presos preventivamente por determinação judicial.
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