Secretário da Segurança Pública classificou os episódios de violência como “selvageria” e “covardia”; 64 pessoas foram detidas e seis são investigadas por participação nas agressões
O secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, defendeu nesta segunda-feira (24) que clubes, Federação Bahiana de Futebol (FBF), Ministério Público, Tribunal de Justiça e demais instituições ligadas ao futebol e ao sistema de Justiça discutam medidas mais duras contra a violência praticada por integrantes de torcidas organizadas.
A manifestação ocorreu após uma série de episódios violentos registrados em Salvador no domingo (23), dia do clássico entre Bahia e Vitória, disputado no Barradão. Werner classificou as ocorrências como atos de “selvageria” e “covardia” e afirmou que criminosos não podem utilizar a condição de torcedores para justificar ações violentas.
“Quero lamentar a morte de dois jovens, solidarizar com as famílias e, acima de tudo, repudiar veementemente esses atos de selvageria, de covardia praticados por criminosos que se passam por torcedores”, afirmou o secretário.
Segundo Werner, 64 pessoas foram detidas pelas forças de segurança durante as ocorrências, sendo que seis foram identificadas como suspeitas de participação nas agressões relacionadas aos casos mais graves. As investigações continuam para esclarecer a dinâmica dos crimes e identificar outros envolvidos.
Uma morte diretamente relacionada ao confronto entre torcidas
Um dos casos ocorreu na região da Avenida 29 de Março e da Via Regional, em Salvador. José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, apontado como integrante da torcida organizada Bamor, foi agredido e sofreu ferimentos graves. Ele chegou a ser socorrido e encaminhado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas morreu.
De acordo com a Polícia Militar, equipes foram acionadas após informações de que integrantes da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis, ligada ao Vitória, estariam envolvidos nas agressões contra um torcedor do Bahia.
Durante as diligências, policiais localizaram um grupo com cerca de 60 pessoas nas proximidades do acesso à Avenida 29 de Março. Seis homens foram encontrados com facas, soqueiras, fogos de artifício e artefatos explosivos artesanais, além de haver, segundo a PM, vestígios aparentes de sangue em algumas roupas.
Os seis foram encaminhados ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde foram adotadas as medidas legais cabíveis. A ocorrência envolve investigação por homicídio, tentativa de homicídio e rixa, entre outros fatos apurados. Os materiais recolhidos foram encaminhados para perícia.
Segunda morte ainda não tem ligação comprovada com as torcidas
Outro jovem, Lucas dos Reis Bomfim, de 19 anos, também morreu no domingo (23), após ser atingido por disparos de arma de fogo no bairro de Castelo Branco.
A Polícia Civil confirmou o homicídio e informou que o caso está sendo investigado pelo DHPP. Entretanto, um ponto é fundamental para evitar informações incorretas: os levantamentos iniciais não apontaram relação entre a morte de Lucas e o assassinato de José Alexandre ou os confrontos entre torcidas organizadas.
A autoria e a motivação do crime permanecem sob investigação.
Dessa forma, embora as duas mortes tenham ocorrido no mesmo dia e em meio à movimentação provocada pelo Ba-Vi, não há, até o momento, confirmação oficial de que os dois homicídios tenham a mesma origem ou estejam ligados à violência entre torcidas.
Werner quer discutir futuro das torcidas organizadas
Diante da gravidade dos acontecimentos, Marcelo Werner defendeu uma discussão mais ampla sobre o funcionamento e a própria existência de grupos organizados que estejam associados a episódios criminosos.
O secretário afirmou que chegou o momento de clubes, Federação Bahiana de Futebol, Ministério Público, Tribunal de Justiça e demais instituições envolvidas com o futebol e a Justiça avaliarem novas estratégias para enfrentar o problema.
Para Werner, a rivalidade esportiva não pode ser utilizada como justificativa para agressões, depredações ou mortes.
A declaração abre espaço para um debate que vai além do policiamento nos dias de clássico: como responsabilizar indivíduos envolvidos em crimes sem transformar todos os torcedores organizados em suspeitos e, ao mesmo tempo, impedir que estruturas de torcidas sejam utilizadas como instrumento de violência?
A resposta dependerá de medidas coordenadas entre segurança pública, clubes, entidades esportivas, Ministério Público e Justiça.
Polícia mantém investigação
A Polícia Civil segue realizando diligências para identificar outros possíveis envolvidos nos episódios de violência. O Ministério Público da Bahia também informou que acompanha os fatos e que adotará as medidas cabíveis para responsabilização dos autores de crimes.
A SSP orienta que informações que possam ajudar na identificação de envolvidos sejam encaminhadas pelo Disque Denúncia 181, serviço destinado ao recebimento de denúncias de forma anônima.
O episódio reacende, na Bahia, uma discussão antiga sobre a violência associada ao futebol. O desafio agora é transformar a indignação em medidas efetivas de prevenção, investigação e responsabilização, sem permitir que a paixão pelo esporte seja confundida com licença para a violência.
Portal Vilela 24hs
Com informações da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público da Bahia e veículos de imprensa com cobertura local.
