Levantamento do Global Firepower coloca o país na segunda posição entre as forças militares das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos; ranking considera efetivo, equipamentos, finanças, logística e geografia
O Brasil aparece como a 11ª força militar mais poderosa do mundo em 2026, segundo o ranking anual do Global Firepower (GFP), que avaliou 145 países. No continente americano, o país ocupa a segunda posição, atrás apenas dos Estados Unidos.
Na classificação, o Brasil aparece à frente de Canadá, México e Argentina. O Canadá ocupa a 28ª posição, enquanto o México aparece em 36º lugar. A Argentina está na 32ª colocação.
O Brasil recebeu um PwrIndx de 0,2374 — índice no qual, segundo a metodologia do levantamento, quanto mais próximo de zero, melhor é a posição. O resultado coloca o país no grupo das 15 principais forças militares avaliadas pelo GFP.
O que explica a posição brasileira
O ranking não considera apenas o tamanho das Forças Armadas ou a quantidade de armas disponíveis.
O Global Firepower utiliza mais de 60 fatores para calcular sua classificação, incluindo efetivo militar, capacidade aérea, forças terrestres e navais, orçamento de defesa, recursos naturais, infraestrutura, logística, poder de compra e características geográficas.
Por isso, a 11ª posição não significa necessariamente que o Brasil seja superior a cada país colocado abaixo dele em todos os aspectos militares. Trata-se de um índice comparativo de capacidade militar convencional, construído a partir de uma fórmula própria. O próprio GFP informa que determinados dados são estimados quando não existem números oficiais disponíveis.
376 mil militares na ativa
Entre os números utilizados pelo levantamento está um efetivo estimado de 376 mil militares na ativa, além de aproximadamente 1,34 milhão de reservistas e 200 mil integrantes classificados pelo GFP como forças paramilitares.
O índice também estima mais de 1,9 milhão de pessoas no conjunto de pessoal militar e paramilitar considerado em sua metodologia.
É importante destacar que esses números pertencem à metodologia do Global Firepower e não devem ser confundidos automaticamente com os efetivos administrativos oficiais divulgados pelo Ministério da Defesa, já que o próprio ranking admite estimativas.
Brasil aparece com 495 aeronaves
No poder aéreo, o GFP contabiliza 495 aeronaves, sendo 44 classificadas como caças, além de 30 aeronaves de ataque, 107 aeronaves de transporte, 124 treinadores, 25 aeronaves de missões especiais e 186 helicópteros.
O levantamento estima que 322 aeronaves estariam disponíveis segundo seu critério de prontidão. Esses índices de disponibilidade também são estimativas, e não equivalem necessariamente ao número de aeronaves operacionalmente prontas informado pela Força Aérea Brasileira.
Entre os programas mais importantes de modernização da aviação de combate brasileira está o Gripen E/F, desenvolvido pela sueca Saab em parceria com a indústria brasileira.
Em junho de 2026, a Saab apresentou o primeiro Gripen F, versão de dois lugares desenvolvida para atender aos requisitos da Força Aérea Brasileira e com participação da indústria nacional no desenvolvimento.
294 tanques no levantamento
Na área terrestre, o Global Firepower contabiliza 294 tanques para o Brasil, além de mais de 22 mil veículos militares de diferentes categorias.
O número de tanques coloca o país na 48ª posição mundial nesse quesito específico. O GFP ressalta, entretanto, que seus números de equipamentos terrestres também podem conter estimativas.
Isso reforça uma diferença importante entre quantidade de equipamentos e capacidade efetiva de combate. Um inventário numericamente grande não significa, por si só, que todo o material esteja em condições de emprego imediato.
Seis submarinos e modernização da Marinha
No setor naval, o Global Firepower contabiliza 69 meios navais, incluindo oito fragatas, duas corvetas, 22 embarcações de patrulha e seis submarinos.
A classificação dos submarinos, porém, merece atenção. O próprio GFP explica que sua metodologia reúne na mesma categoria submarinos convencionais e de propulsão nuclear. Portanto, o dado de seis submarinos não significa que o Brasil disponha de seis submarinos nucleares.
A Marinha brasileira mantém em desenvolvimento o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), que inclui quatro submarinos convencionais da classe Riachuelo e o projeto do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear, o Álvaro Alberto.
O submarino nuclear brasileiro, portanto, ainda não integra a frota operacional brasileira.
Brasil supera Canadá e México no índice, mas comparação exige cautela
A distância entre os países é significativa no ranking do GFP.
O Brasil aparece em 11º lugar, enquanto o Canadá ocupa a 28ª posição e o México está na 36ª. Nas comparações realizadas pelo próprio Global Firepower, o Brasil aparece à frente dos dois países em diversos indicadores considerados pelo índice.
Mas isso não significa que o Brasil possua superioridade absoluta sobre Canadá e México em todos os componentes militares.
O Canadá, por exemplo, possui vantagens importantes em determinados sistemas, tecnologias, integração militar e capacidade de operação dentro da OTAN. O próprio ranking mostra que o orçamento de defesa canadense é superior ao brasileiro na metodologia utilizada pelo GFP.
A classificação, portanto, deve ser interpretada como uma avaliação comparativa de capacidade militar convencional, e não como uma previsão de quem venceria uma eventual guerra.
O ponto forte brasileiro está no conjunto
A posição brasileira no ranking é explicada principalmente pela combinação de fatores.
O país possui enorme território, população elevada, extensa infraestrutura logística, recursos naturais estratégicos, grande efetivo militar, capacidade industrial de defesa e programas próprios de modernização tecnológica.
O Brasil também possui uma das maiores extensões territoriais do planeta e uma extensa costa, elementos que entram na metodologia do Global Firepower. O país aparece em quinto lugar mundial em área territorial e possui aproximadamente 7,5 mil quilômetros de litoral segundo os dados utilizados pelo índice.
Ranking não significa que o Brasil tenha uma das maiores despesas militares
Existe, porém, uma contradição que merece ser observada.
Embora apareça em 11º lugar no ranking geral, o Brasil ocupa apenas a 22ª posição mundial em orçamento de defesa dentro da base do Global Firepower, com valor estimado em US$ 26,4 bilhões.
Isso demonstra que a posição brasileira não decorre simplesmente de gastar mais dinheiro que seus concorrentes.
O resultado é influenciado pela combinação de escala territorial, população, recursos, infraestrutura, efetivo e quantidade de equipamentos, entre outros fatores.
E aqui está o principal ponto que merece atenção: ter uma das maiores forças militares convencionais do mundo não significa necessariamente possuir uma das forças mais modernas ou mais prontas para um conflito de alta intensidade.
Um levantamento recente sobre os gastos militares brasileiros mostrou que, em 2025, 77,7% das despesas da Defesa foram destinadas a pessoal, enquanto apenas 8,25% foram para investimentos, cenário que ajuda a explicar alguns dos desafios enfrentados pelos programas de modernização.
Uma potência militar em modernização
O resultado do Global Firepower confirma que o Brasil permanece como uma das principais forças militares do planeta e, sobretudo, como a principal potência militar da América Latina pelo critério utilizado pelo levantamento.
Mas o dado precisa ser lido com equilíbrio.
O Brasil tem escala, território, efetivo e uma base industrial de defesa relevante, além de programas estratégicos como o Gripen, o PROSUB e o desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear.
Ao mesmo tempo, enfrenta limitações orçamentárias, necessidade de renovação de equipamentos e desafios para transformar quantidade em capacidade operacional e tecnológica.
Assim, mais do que dizer simplesmente que o Brasil “virou uma potência militar”, o ranking de 2026 mostra que o país já ocupa uma posição de destaque entre as forças militares convencionais do mundo e passa por um processo de modernização que poderá alterar ainda mais sua capacidade de defesa nos próximos anos.
Portal Vilela 24hs — informação com responsabilidade, contexto e apuração.
Fontes: Global Firepower; Ministério da Defesa; Marinha do Brasil; Força Aérea Brasileira/Saab; Folha de S.Paulo.
