Operação Ouro Reverso investiga cadeia que teria atuado desde o roubo de alianças até o derretimento e a revenda do ouro; Neymar não é investigado
Um colar de ouro avaliado em aproximadamente R$ 2 milhões, presenteado pelo influenciador Bruno Aleksander Souza Silva, conhecido como Buzeira, ao jogador Neymar, acabou se tornando um dos elementos que ajudaram a Polícia Civil de São Paulo a aprofundar uma investigação sobre uma suposta rede de receptação de joias roubadas.
A apuração está relacionada à Operação Ouro Reverso, conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), que teve nesta segunda-feira (24) uma nova fase deflagrada na capital paulista e em Guarulhos.
Segundo informações confirmadas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a operação investiga uma estrutura que teria participação em diferentes etapas da cadeia criminosa: desde roubos e furtos de joias até a receptação, comercialização e posterior processamento do ouro.
Neymar não é investigado
Apesar de o colar ter chamado a atenção dos investigadores, Neymar não é alvo da investigação.
O jogador aparece no caso exclusivamente porque recebeu a peça como presente de Buzeira. A Polícia Civil não aponta, nas informações divulgadas até agora, qualquer participação de Neymar no esquema investigado.
O presente foi entregue em dezembro de 2023, durante o cruzeiro Ney em Alto Mar. Na ocasião, Buzeira divulgou nas redes sociais que a joia teria valor aproximado de R$ 2 milhões.
Como o colar entrou na investigação
A repercussão da joia levou os investigadores a identificar pessoas envolvidas na fabricação e comercialização de peças de ouro.
A partir das diligências, a Polícia Civil passou a investigar a procedência do metal utilizado em diferentes joias e as conexões entre fornecedores, intermediários e estabelecimentos que atuariam na compra e transformação de ouro.
A investigação passou a apontar para uma estrutura que teria como uma de suas estratégias o derretimento das joias roubadas.
Ao transformar alianças, correntes e outras peças em ouro novamente processado, os suspeitos poderiam dificultar a identificação dos objetos e, consequentemente, sua vinculação aos crimes de origem.
Operação mira empresas no centro de São Paulo
A segunda fase da Operação Ouro Reverso mobilizou policiais do DEIC para cumprir quatro mandados de prisão e 28 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços da capital e em Guarulhos.
Um dos focos da ação é uma região do centro de São Paulo conhecida como “Círculo de Fogo”, onde, segundo as investigações, funcionariam empresas suspeitas de adquirir joias provenientes de crimes e posteriormente derreter o ouro.
A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 34,6 milhões em contas relacionadas aos investigados. Segundo dados divulgados sobre a operação, foram atingidas 13 contas bancárias, além de medidas de sequestro de veículos e imóvel.
A operação conta ainda com a participação de auditores fiscais da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo e avaliadores da Caixa Econômica Federal.
Investigação começou em 2025
A primeira fase da Operação Ouro Reverso ocorreu em maio de 2025 e resultou na prisão de Rony Gonçalves, apontado pelos investigadores como um dos principais negociadores de objetos de ouro roubados.
Segundo a investigação, ele faria parte de uma estrutura atribuída a Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como “Mainha do Ouro”, apontada pela polícia como integrante de uma organização que daria suporte a grupos envolvidos em roubos.
A nova etapa busca ampliar o conjunto de provas e identificar outros participantes da estrutura, especialmente aqueles que atuariam na receptação, comercialização e processamento do ouro obtido de maneira ilícita.
Presente milionário não coloca Neymar no centro do caso
O caso ganhou repercussão nacional justamente pela ligação indireta com Neymar, mas a distinção é fundamental: o jogador é citado na investigação por ter recebido o colar, e não como suspeito de crime.
Também não há, nas informações divulgadas pelas autoridades, confirmação de que o colar recebido por Neymar tenha sido produzido com ouro roubado ou que a joia tenha origem criminosa.
A investigação busca justamente esclarecer a procedência de materiais e identificar os responsáveis pela eventual cadeia de receptação e comercialização de ouro de origem ilícita.
O episódio mostra como uma peça de luxo que ganhou enorme visibilidade nas redes sociais acabou contribuindo para chamar a atenção das autoridades para um mercado muito mais amplo: o de joias roubadas que poderiam ser transformadas em matéria-prima e reinseridas no mercado.
Portal Vilela 24hs — Informação com responsabilidade, contexto e apuração.
Fontes consultadas: Secretaria da Segurança Pública de São Paulo; Polícia Civil de São Paulo/DEIC; CNN Brasil; Itatiaia; UOL e Folha de S.Paulo.
