O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais começou a produzir reflexos imediatos no mercado financeiro. Após Flávio Bolsonaro (PL) terminar a primeira etapa da disputa à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as taxas de juros futuros registraram forte queda, em meio à reação dos investidores ao novo cenário eleitoral.
Na segunda-feira (5), os contratos de juros futuros com vencimentos nos próximos anos recuaram cerca de 1 ponto percentual, movimento que, caso seja mantido, pode representar uma redução estimada de R$ 65,8 bilhões no custo da dívida pública brasileira.
A explicação passa pela forma como o governo financia sua dívida. Parte dos títulos públicos precisa ser renovada ao longo do tempo. Quando as taxas exigidas pelos investidores diminuem, o Tesouro consegue captar recursos pagando juros menores. Por isso, uma queda prolongada na curva de juros pode diminuir significativamente os gastos futuros com a dívida.
A reação não ficou restrita aos juros. Na segunda-feira, o Ibovespa registrou uma alta histórica de 7,7%, encerrando o pregão acima dos 206 mil pontos, enquanto o dólar caiu para próximo de R$ 5. O movimento foi associado, entre outros fatores, à interpretação do mercado sobre o resultado eleitoral e às expectativas para a condução econômica do próximo governo.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, levando a disputa presidencial para o segundo turno.
Especialistas, porém, destacam que a economia projetada de R$ 65,8 bilhões não significa dinheiro imediatamente disponível nos cofres públicos. Trata-se de uma estimativa baseada na hipótese de manutenção das taxas atuais durante o refinanciamento da dívida. Caso as expectativas sobre inflação, contas públicas ou cenário político mudem, os juros podem voltar a subir.
O episódio evidencia como eleições, expectativas fiscais e decisões dos investidores podem modificar rapidamente o preço dos ativos brasileiros, mesmo antes da definição do próximo presidente.
