União reduziu tributos e ampliou subsídios para gasolina, etanol e diesel, enquanto petróleo caro mantém pressão sobre preços no país
A alta internacional do petróleo voltou a colocar os combustíveis no centro do debate econômico e eleitoral no Brasil.
A cerca de duas semanas do primeiro turno, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta conter os efeitos da valorização do petróleo sobre gasolina e diesel por meio de subsídios e reduções temporárias de impostos.
Segundo levantamento baseado em dados da Agência Nacional do Petróleo, desde o início da escalada dos conflitos no Oriente Médio, no final de fevereiro, a gasolina comum acumulou aumento de aproximadamente 4%, enquanto o diesel registrou elevação superior a 8%. No diesel S10, a variação apontada chega a cerca de 14,4% no período.
Para tentar reduzir o impacto nos postos, o governo adotou uma sequência de medidas.
No dia 9 de setembro, foi anunciada redução de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina, além de alíquota zero para o etanol hidratado. O governo também autorizou nova subvenção ao diesel.
Antes disso, já haviam sido implementados subsídios para gasolina e diesel ao longo do ano.
O problema é que o cenário internacional continua pressionando os preços. A Reuters informou nesta semana que a diferença entre o preço internacional do diesel e o praticado pela Petrobras atingiu nível recorde, levando importadores independentes a reduzir ou adiar compras.
Segundo a reportagem, o Brasil produz aproximadamente 75% do diesel que consome e depende de importações para completar o abastecimento.
A Petrobras e a ANP afirmam que o fornecimento permanece estável, embora tenham sido registradas dificuldades localizadas de entrega em algumas regiões do país.
Com a proximidade das eleições, o preço dos combustíveis também ganhou peso político. O governo argumenta que as medidas buscam proteger consumidores da volatilidade internacional, enquanto adversários questionam o custo fiscal dos subsídios e a proximidade das medidas com o período eleitoral.
A evolução dos preços continuará dependendo principalmente do mercado internacional de petróleo, do câmbio e das medidas adotadas pelo governo.
