Influenciadora é ré em processo que investiga lavagem de dinheiro; defesa nega participação em organização criminosa
O Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça a manutenção da prisão preventiva da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, que está presa desde maio no âmbito da Operação Vérnix, investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O pedido foi apresentado nesta quinta-feira (20). O promotor Lincoln Gakiya sustenta que a liberdade dos investigados poderia representar risco de reiteração criminosa e aponta Deolane como integrante do chamado núcleo financeiro do esquema.
Deolane e Marcola no mesmo processo
A investigação colocou Deolane no mesmo processo criminal que envolve Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do PCC.
Segundo o Ministério Público, a investigação identificou movimentações financeiras que teriam sido utilizadas para ocultar valores de origem ilícita. A promotoria também aponta uma evolução patrimonial considerada incompatível com os rendimentos declarados pela influenciadora, estimando movimentações superiores a R$ 140 milhões entre 2020 e 2022.
A Justiça já recebeu a denúncia apresentada pelo MP, transformando Deolane e os demais denunciados em réus. Isso, porém, não significa condenação: o processo ainda está em andamento e todos têm direito à defesa e à presunção de inocência.
Defesa nega envolvimento
A defesa de Deolane nega que ela integre qualquer organização criminosa ou tenha praticado lavagem de dinheiro.
A influenciadora também já afirmou, durante audiência de custódia, que foi presa enquanto exercia sua atividade profissional.
Novas apreensões aumentaram a pressão
A investigação ganhou novo capítulo nesta semana. Em uma nova fase da Operação Vérnix, realizada em 17 de agosto, autoridades apreenderam uma Lamborghini Urus Performante avaliada em mais de R$ 4 milhões, apontada como ligada à influenciadora.
Dias antes, outro veículo de luxo, um Mercedes-Benz GLC 300, avaliado em aproximadamente R$ 500 mil, também havia sido apreendido.
As apreensões fazem parte das medidas adotadas durante a investigação e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a origem dos bens.
O caso agora está nas mãos da Justiça
O pedido do Ministério Público será analisado pelo Judiciário. Enquanto isso, Deolane permanece presa preventivamente.
O caso chama atenção pela mistura de fama, grandes movimentações financeiras, veículos de luxo e uma investigação que alcança integrantes apontados como pertencentes à estrutura financeira do PCC.
Mas há uma diferença fundamental entre investigação e condenação:
Deolane é ré e está sendo acusada pelo Ministério Público, mas ainda não foi condenada pelos crimes investigados.
O processo deverá determinar, ao final, se as suspeitas apresentadas pela acusação serão confirmadas pelas provas produzidas em juízo.
Portal Vilela 24hs — informação sem transformar acusação em condenação.
