O setor produtivo da Bahia intensificou a pressão sobre os três senadores que representam o estado no Congresso Nacional diante do avanço da proposta que pretende acabar com a escala de trabalho 6×1. Empresários defendem que a discussão seja ampliada antes de uma eventual votação e pedem que os impactos econômicos da mudança sejam analisados com maior profundidade.
Os senadores baianos Jaques Wagner (PT), Otto Alencar (PSD) e Angelo Coronel (PSD) são considerados peças importantes na tramitação da proposta no Senado. O pedido do empresariado ocorre justamente quando a matéria entra em uma etapa decisiva na Casa.
A discussão envolve a PEC 221/2019, aprovada pela Câmara dos Deputados em dois turnos e encaminhada ao Senado. O texto estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, com dois dias de descanso por semana, alterando o modelo atualmente associado à escala 6×1.
EMPRESÁRIOS ALERTAM PARA IMPACTO NOS CUSTOS
Representantes do comércio, dos serviços e do turismo argumentam que a mudança poderá elevar os custos das empresas, especialmente nos segmentos que funcionam durante todos os dias da semana e dependem de escalas contínuas de trabalhadores.
O setor produtivo defende que eventuais alterações sejam discutidas com empresas, trabalhadores e representantes do Congresso antes da definição do texto final.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por exemplo, lançou uma campanha nacional contra uma votação considerada acelerada e sustenta que a alteração da jornada poderá produzir impactos sobre os custos empresariais e, consequentemente, sobre os preços ao consumidor.
PROPOSTA JÁ AVANÇOU NA CÂMARA
A PEC 221/2019 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio de 2026 e chegou ao Senado no dia 28 daquele mês. A proposta estabelece a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e prevê dois dias de descanso.
O texto aprovado pela Câmara prevê uma transição: a jornada seria reduzida inicialmente para 42 horas semanais e, posteriormente, para 40 horas, sem redução salarial, conforme as regras previstas na proposta.
No Senado, entretanto, a matéria ainda precisa cumprir novas etapas legislativas antes de uma eventual promulgação.
PEC CHEGA À CCJ EM MOMENTO DE PRESSÃO
Em 21 de agosto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) as propostas relacionadas ao fim da escala 6×1. A comissão passou a concentrar a discussão sobre o tema nesta etapa da tramitação.
O debate ocorre em um ambiente de forte mobilização dos dois lados.
Entidades sindicais defendem a redução da jornada como medida de melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, enquanto setores empresariais argumentam que a mudança precisa considerar as diferenças entre os segmentos econômicos e os possíveis efeitos sobre custos, produtividade e emprego.
BAHIA TERÁ PAPEL IMPORTANTE NA DECISÃO
Com três cadeiras no Senado, a Bahia terá participação direta na votação caso a proposta avance para o plenário.
A posição dos senadores baianos pode ganhar ainda mais relevância diante da necessidade de construção de maioria para uma mudança constitucional. Por se tratar de PEC, a aprovação exige quórum qualificado no Senado.
O debate, portanto, não se resume à discussão entre “trabalhadores contra empresários”. A decisão envolve uma mudança constitucional nas regras de jornada e terá consequências sobre empresas, empregados, consumidores e sobre a própria organização do mercado de trabalho.
O principal ponto de tensão está justamente em como conciliar redução da jornada e melhoria das condições de trabalho com os custos de adaptação das empresas e a preservação dos empregos.
O QUE ESTÁ EM JOGO
O fim da escala 6×1 ainda não está em vigor. A legislação atual continua permitindo a organização da jornada dentro dos limites constitucionais e legais existentes.
O que está em discussão no Congresso é uma mudança constitucional que poderá estabelecer uma nova lógica de jornada e descanso.
Para os defensores da proposta, dois dias de descanso podem melhorar a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores. Para os críticos, a mudança sem uma transição adequada poderá aumentar custos e pressionar especialmente setores que dependem de funcionamento contínuo.
O desafio do Senado será encontrar uma solução que considere os dois lados da equação.
A discussão sobre a escala 6×1 chegou ao ponto em que slogans não bastam. A decisão afetará milhões de trabalhadores e milhares de empresas — e, por isso, precisa ser tomada com dados, transparência e diálogo, sem ignorar nem a dignidade do trabalhador nem a realidade econômica de quem gera empregos.
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