Dados do Saeb 2025 mostram avanço na aprendizagem, mas revelam um dos principais gargalos da educação brasileira: apenas 8,5% dos estudantes do ensino médio atingiram nível adequado em matemática
Quase seis em cada dez estudantes da rede pública brasileira chegaram ao final do ensino médio, em 2025, com aprendizagem abaixo do nível básico em matemática. O percentual foi de 58,6%, segundo estudo do Todos Pela Educação elaborado com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
O dado expõe a dimensão do desafio enfrentado pela educação brasileira: embora os indicadores tenham apresentado melhora em relação a 2023, a maioria dos jovens conclui a educação básica sem alcançar o domínio considerado mínimo para a etapa.
O cenário fica ainda mais preocupante quando se observa o percentual de estudantes que efetivamente alcançaram o nível considerado adequado. Em 2025, foram apenas 8,5% dos alunos do ensino médio da rede pública. Na prática, isso significa que aproximadamente dois estudantes em uma turma de 25 chegaram ao fim dessa etapa com aprendizagem considerada adequada em matemática.
Problema se agrava ao longo da trajetória escolar
Os números mostram que a dificuldade não aparece apenas no ensino médio. Ela se intensifica conforme os estudantes avançam na educação básica.
Em 2025, 50,6% dos alunos da rede pública no 5º ano do ensino fundamental atingiram o nível adequado em matemática. No 9º ano, esse percentual caiu para 18,8%. Ao chegar ao ensino médio, despencou para 8,5%.
A trajetória revela um problema estrutural: a escola consegue promover avanços nos primeiros anos, mas uma parcela expressiva dos estudantes perde desempenho justamente nas etapas em que os conteúdos matemáticos se tornam mais complexos.
Houve melhora, mas o resultado ainda está longe do ideal
Os números de 2025 não representam apenas uma fotografia negativa.
Segundo o Inep, responsável pela aplicação e divulgação do Saeb, houve avanço na aprendizagem de matemática e língua portuguesa em todas as etapas da educação básica em comparação com 2023. O Ideb também cresceu nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio.
No caso da matemática no ensino médio, entretanto, o avanço ainda não foi suficiente para alterar substancialmente o quadro.
Em 2023, aproximadamente 59% dos estudantes estavam abaixo do nível básico. Em 2025, o percentual caiu para 58,6%. A melhora, portanto, existe, mas foi pequena diante da dimensão do problema.
O próprio Ministério da Educação reconhece que, apesar da recuperação observada nos resultados do Saeb, a melhoria da aprendizagem permanece como um dos grandes desafios da educação brasileira.
Português apresenta situação diferente
A dificuldade não é exatamente igual em todas as disciplinas.
Em língua portuguesa, 35,2% dos estudantes do ensino médio da rede pública alcançaram o nível adequado em 2025, enquanto 31,2% ficaram abaixo do nível básico. O resultado mostra uma situação significativamente melhor do que a registrada em matemática, embora ainda esteja distante de um cenário satisfatório.
A diferença reforça a necessidade de políticas específicas para recuperação da aprendizagem matemática, sem deixar de lado as demais áreas do conhecimento.
Bahia também enfrenta o desafio
Os resultados nacionais precisam ser analisados também sob a perspectiva de cada estado e rede de ensino. O Saeb permite justamente esse acompanhamento, com resultados por unidades da Federação, municípios e escolas.
No Ideb de 2023, por exemplo, a Bahia registrou 3,9 no ensino médio, abaixo da média nacional de 4,3 naquele ano. Os resultados de 2025 foram divulgados pelo Inep e permitem uma nova comparação da evolução dos indicadores.
Mais do que uma disputa de rankings, os números colocam uma questão objetiva para gestores públicos: o estudante está efetivamente aprendendo aquilo que precisa saber para concluir cada etapa da educação?
O desafio vai além de colocar o aluno na escola
Os dados também mostram uma transformação importante ocorrida nas últimas duas décadas.
O Brasil conseguiu ampliar significativamente o número de jovens que chegam ao ensino médio e concluem essa etapa. O problema é que a expansão do acesso não foi acompanhada na mesma velocidade pela aprendizagem.
É justamente essa diferença que os indicadores mais recentes ajudam a revelar.
Não basta garantir matrícula, frequência e aprovação. Um sistema educacional pode apresentar bons índices de fluxo escolar e, ainda assim, formar estudantes que não dominam competências fundamentais.
O próprio Ideb foi criado pelo Inep justamente para combinar essas duas dimensões: fluxo escolar e desempenho dos estudantes em língua portuguesa e matemática.
Um alerta para os próximos anos
Os números do Saeb 2025 apresentam, portanto, duas informações que precisam ser consideradas simultaneamente.
A primeira é positiva: a aprendizagem melhorou em relação a 2023, e os indicadores educacionais avançaram.
A segunda é preocupante: mesmo com essa recuperação, apenas 8,5% dos estudantes da rede pública no final do ensino médio atingiram o nível adequado em matemática.
Isso significa que o Brasil conseguiu avançar, mas ainda não resolveu o problema central: fazer com que o aluno permaneça na escola e, sobretudo, saia dela sabendo o que deveria ter aprendido.
Para a educação pública brasileira, o desafio agora não é apenas colocar mais jovens dentro da sala de aula. É garantir que eles saiam dela preparados para enfrentar a universidade, o mercado de trabalho, a vida financeira e os problemas cotidianos que exigem raciocínio matemático.
Portal Vilela 24hs
Com base em dados do Ministério da Educação (MEC), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Saeb 2025 e estudo do Todos Pela Educação.
Fontes oficiais e de referência:
Inep — resultados do Ideb 2025
Inep — resultados do Saeb 2023
Todos Pela Educação — análise dos resultados de aprendizagem
