Um projeto criado para retirar jovens das ruas, incentivar a cultura, fortalecer o esporte e oferecer novas oportunidades para moradores do Teotônio Vilela volta a enfrentar dificuldades para continuar funcionando.
Após permanecer cerca de um ano e meio com atividades paralisadas, o Núcleo Sociocultural Teotônio Vilela (NSCT) passou por uma nova reorganização administrativa. Uma nova diretoria assumiu a condução do projeto, sob uma nova presidência, iniciando uma busca por apoiadores, parceiros e alternativas junto ao poder público para reativar as ações sociais na comunidade.
Mesmo diante de limitações, burocracias e da demora em algumas demandas, o projeto retomou suas atividades contando com professores voluntários e passou a ofertar oficinas para crianças, adolescentes, adultos e idosos da comunidade.
Entretanto, segundo integrantes do Núcleo, nos últimos meses a continuidade das atividades passou a enfrentar novos obstáculos.
De acordo com relatos apresentados pela coordenação, começaram a surgir divergências relacionadas ao funcionamento do projeto no imóvel utilizado pelo Núcleo. Entre os episódios citados estão críticas direcionadas a algumas atividades desenvolvidas no espaço.
Segundo integrantes do projeto, oficinas de música chegaram a ser chamadas de “palhaçada”, “fuzuê” e “brega”. Ainda de acordo com os relatos, atividades de dança também teriam sido alvo de comentários considerados ofensivos pelos organizadores.
A coordenação do Núcleo afirma que recebeu as declarações com preocupação, especialmente pelo fato de o projeto atender crianças, adolescentes, mães de família e diversos moradores da comunidade.
O episódio mais recente, porém, elevou o nível de preocupação.
Segundo informações apresentadas em reuniões entre integrantes do projeto, professores e o responsável pelo imóvel, que também integra a diretoria do Núcleo na condição de vice-presidente, uma intervenção teria sido realizada na estrutura para instalação de um sistema ligado ao restaurante localizado na parte inferior do espaço.
A situação gerou preocupação entre voluntários e professores, levantando questionamentos relacionados à segurança do local e à necessidade de uma avaliação mais detalhada sobre as condições estruturais do imóvel.
Diante disso, professores e voluntários optaram por adotar uma medida preventiva.
As oficinas de boxe foram temporariamente suspensas e aproximadamente 90% dos voluntários também decidiram interromper suas atividades até que exista uma definição mais clara sobre a utilização do espaço.
A coordenação reforça que a decisão foi tomada priorizando a segurança dos participantes.
“Temos aulas que chegam a reunir dezenas de pessoas no local. Nossa preocupação foi prevenir qualquer situação que possa colocar alunos e professores em risco”, relatou um integrante do projeto.
O Núcleo informou ainda que já iniciou a busca por um novo espaço para continuar realizando o trabalho social na comunidade.
O caso reacende uma discussão importante:
Projetos sociais enfrentam dificuldades apenas para nascer ou também para sobreviver?
