Nova plataforma permite que moradores, associações e empresas participem da ampliação da rede de monitoramento da capital baiana
A Prefeitura de Salvador lançou nesta terça-feira (25) o site de chamamento do Salvador Segura, programa que pretende ampliar e integrar o sistema de videomonitoramento da capital baiana. A plataforma foi apresentada durante evento realizado na Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL), na Rua Carlos Gomes.
Coordenada pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (Semit), a iniciativa permite o cadastramento de moradores, associações, sindicatos, estabelecimentos comerciais e outras entidades interessadas em disponibilizar câmeras para integração ao sistema municipal.
A proposta é ampliar significativamente a capacidade de monitoramento da cidade por meio da integração de equipamentos públicos e privados. A Prefeitura trabalha com uma estrutura que poderá reunir cerca de 10 mil câmeras, conectadas a uma base de dados integrada à Guarda Civil Municipal (GCM) e à Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).
Inteligência artificial e monitoramento em tempo real
O Salvador Segura prevê a utilização de recursos de inteligência artificial, reconhecimento facial e leitura de placas de veículos, permitindo o acompanhamento de áreas de grande circulação, equipamentos públicos, vias estratégicas e outros pontos considerados relevantes para a segurança e para a atuação dos serviços públicos.
A tecnologia também poderá auxiliar na identificação de pessoas procuradas pela Justiça, veículos roubados, pessoas desaparecidas e situações que demandem resposta dos órgãos públicos. A proposta inclui ainda a utilização do sistema em ocorrências como acidentes de trânsito, grandes aglomerações e eventos que possam exigir atuação emergencial.
O sistema foi concebido para funcionar em etapas, começando pela captação de uma ocorrência, passando pela análise das informações e pelo acionamento do órgão responsável, até o acompanhamento da resposta e o registro posterior dos dados. A intenção é transformar as imagens captadas em informações que possam contribuir tanto para a resposta imediata quanto para ações preventivas.
Participação do setor privado
Um dos principais diferenciais do programa é a tentativa de aproveitar uma estrutura de câmeras que já existe em Salvador.
Em vez de depender exclusivamente da instalação de novos equipamentos públicos, a Prefeitura busca estabelecer uma rede colaborativa envolvendo o setor produtivo, associações e moradores. Dessa forma, câmeras instaladas em estabelecimentos comerciais, condomínios, postos de combustíveis, shoppings e outros espaços poderão, mediante adesão ao programa, contribuir para ampliar a área monitorada.
A estratégia pode aumentar a capacidade de observação da cidade sem que todo o investimento em equipamentos precise partir diretamente do poder público.
Segundo o secretário municipal de Inovação e Tecnologia, Alberto Braga, quanto maior for a quantidade de pontos de observação integrados, maior será a capacidade do sistema de identificar situações de risco e contribuir para uma resposta mais rápida das forças responsáveis pela segurança.
Segurança integrada
O Salvador Segura também representa uma tentativa de aproximar diferentes estruturas públicas que atuam no atendimento de ocorrências. A integração envolve a Guarda Civil Municipal e a SSP-BA, além de possibilitar o compartilhamento operacional com outros serviços municipais.
A proposta é que o videomonitoramento não seja utilizado apenas para acompanhar ocorrências criminais, mas também como ferramenta de apoio à gestão urbana e à resposta a situações de emergência.
Na prática, a Prefeitura pretende transformar a rede de câmeras em uma espécie de sistema integrado de observação da cidade, capaz de identificar situações e encaminhá-las aos órgãos responsáveis.
Tecnologia exige responsabilidade
Apesar do potencial da iniciativa, o uso de reconhecimento facial, inteligência artificial e integração de imagens públicas e privadas também exige atenção às regras de proteção de dados, privacidade e utilização legítima das informações.
Por isso, a expansão do monitoramento precisa caminhar junto com mecanismos claros de governança, controle de acesso, segurança das bases de dados e definição precisa sobre quem poderá utilizar as informações e em quais circunstâncias.
O desafio do Salvador Segura, portanto, não será apenas instalar ou conectar milhares de câmeras, mas garantir que a tecnologia seja empregada de maneira eficiente, segura e compatível com a legislação brasileira.
A expectativa da Prefeitura é que a participação de moradores, associações e empresas permita ampliar a cobertura do sistema e fortalecer a capacidade de prevenção e resposta diante de ocorrências em Salvador.
Portal Vilela 24hs — Informação que acompanha os fatos.
