O Partido Novo promete levar ao novo Senado uma ofensiva pela abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita pelo presidente nacional da legenda, Eduardo Ribeiro, após o partido confirmar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Em entrevista à CNN Brasil, Ribeiro afirmou que a bancada do Novo no Senado atuará pela apresentação de pedidos contra integrantes da Suprema Corte que, segundo a avaliação da legenda, tenham cometido condutas passíveis de responsabilização.
“O Novo vai fazer parte dessa bancada à direita, que vai exigir o impeachment de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal”, declarou o dirigente partidário.
A estratégia ganha dimensão com a nova composição da bancada do partido. Nas eleições de 2026, o Novo elegeu Marcel van Hattem (RS), Deltan Dallagnol (PR) e Lahesio Bonfim (MA) para o Senado, segundo as informações divulgadas pela legenda e repercutidas pela CNN.
NOVO JÁ PROTOCOLou PEDIDOS EM 2026
A promessa não surge agora. Ao longo de 2026, o partido já participou da apresentação de representações contra ministros do STF.
Em março, o Novo protocolou no Senado um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes, tendo como uma das alegações questões relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O procedimento foi registrado oficialmente pelo Senado.
Em setembro, também havia representações contra Moraes registradas no sistema do Senado. Uma delas, a PET 43/2026, apresentada em 23 de setembro, aparece oficialmente como “em tramitação” e aguardando despacho.
O Senado também registra outras representações contra ministros do STF apresentadas em 2026, inclusive contra André Mendonça.
O QUE PODE ACONTECER NO SENADO?
Apesar do discurso político, um anúncio de apoio a impeachment não significa que um processo tenha sido aberto.
A Constituição estabelece que cabe ao Senado Federal processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. A Lei nº 1.079/1950 define as condutas que podem fundamentar esse tipo de responsabilização.
Segundo a própria Assessoria do Senado, qualquer cidadão pode apresentar uma denúncia contra ministro do STF por crime de responsabilidade. Depois do protocolo, a representação passa a tramitar como petição e segue as etapas previstas pela Casa.
O Senado informa ainda que nunca foi aprovado um pedido de impeachment contra ministro do Supremo Tribunal Federal.
A DISPUTA AGORA É PELO PODER DE DECISÃO
A declaração de Eduardo Ribeiro coloca o tema do impeachment de ministros do STF no centro da estratégia parlamentar do Novo para a próxima legislatura.
A questão decisiva, porém, será a tramitação de eventuais denúncias e a posição da Presidência do Senado e dos próprios senadores diante de cada representação.
Ou seja: o Novo anuncia que pretende pressionar pela abertura dos processos, mas não há, neste momento, decisão do Senado determinando impeachment de qualquer ministro do Supremo.
O debate deverá ganhar espaço a partir da posse dos novos parlamentares, quando a composição da Casa Alta será renovada e os novos senadores assumirão seus mandatos.
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Com informações da CNN Brasil e do Senado Federal.
