Primeira-dama faz alerta sobre futuro do programa de medicamentos gratuitos. Partido de Flávio Bolsonaro nega proposta de encerramento e afirma que benefício será mantido.
Uma declaração da primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, provocou uma nova controvérsia na disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Em vídeo divulgado nas redes sociais durante a campanha do segundo turno, Janja afirmou que Flávio Bolsonaro acabaria com o programa Farmácia Popular caso fosse eleito presidente da República.
A declaração foi repercutida pela Revista Oeste na quarta-feira (7), em reportagem assinada pelo jornalista Fábio Bouéri.
Além de mencionar o programa de medicamentos, a primeira-dama fez críticas ao candidato do PL relacionadas à segurança pública, afirmando que o crime organizado poderia ganhar força em um eventual governo adversário.
As manifestações ocorrem em um momento de intensificação da disputa eleitoral, quando programas sociais e serviços públicos passaram a ocupar espaço importante na comunicação das duas campanhas.
PL NEGA PROPOSTA DE ENCERRAMENTO
Após a divulgação do vídeo, o Partido Liberal reagiu e negou que Flávio Bolsonaro tenha planos de extinguir o Farmácia Popular.
Em manifestação publicada nas redes sociais, a legenda afirmou que os medicamentos gratuitos continuariam sendo distribuídos pelo programa em um eventual governo do candidato.
A legenda também acusou adversários políticos de divulgar informações falsas sobre suas propostas.
Até o momento, não foi apresentada evidência documental de uma proposta oficial de Flávio Bolsonaro para encerrar o Farmácia Popular.
Essa distinção é importante: a declaração de Janja apresenta uma previsão sobre o comportamento de um eventual governo, enquanto o PL afirma que pretende preservar o benefício.
Nenhuma das posições permite afirmar antecipadamente o que ocorreria após a eleição.
COMO FUNCIONA O FARMÁCIA POPULAR
O Farmácia Popular é um programa federal criado em 2004 para ampliar o acesso da população a medicamentos e produtos de saúde por meio de estabelecimentos credenciados.
Ao longo dos anos, o programa passou por diferentes mudanças de cobertura, financiamento e distribuição.
Atualmente, a política pública integra a estrutura de assistência farmacêutica do Sistema Único de Saúde, permitindo que pacientes obtenham medicamentos contemplados pelas regras do programa.
A eventual extinção ou alteração significativa dessa política dependeria de decisões administrativas, orçamentárias e normativas do governo federal, sujeitas aos limites previstos na legislação.
PROGRAMAS SOCIAIS NO CENTRO DA CAMPANHA
O episódio evidencia como o futuro dos programas sociais se tornou um dos principais temas de confronto entre os candidatos.
Enquanto a campanha de Lula procura apresentar a manutenção dessas políticas como uma questão central da eleição, Flávio e seus aliados negam que haja intenção de acabar com benefícios como o Farmácia Popular.
Para o eleitor, a diferença entre uma proposta oficialmente apresentada e uma acusação feita durante a campanha é fundamental.
Até que surjam documentos ou declarações específicas em sentido contrário, não há base verificada para apresentar o encerramento do Farmácia Popular como uma decisão anunciada por Flávio Bolsonaro.
