A família Sarney ficará, a partir de 2027, sem nenhum integrante exercendo mandato eletivo pela primeira vez em 72 anos. O ciclo político iniciado ainda nos anos 1950 chega ao fim após a derrota de Roseana Sarney (MDB) na disputa por uma das duas vagas do Maranhão no Senado.
Roseana terminou a eleição em terceiro lugar, com 1.171.634 votos, ou 16,41% dos votos válidos. As duas cadeiras foram conquistadas por André Fufuca (PP), com 21,43%, e Lahesio Bonfim (Novo), com 20,61%.
Com o resultado, Roseana permanecerá deputada federal somente até o encerramento da atual legislatura, em janeiro de 2027. Depois disso, nenhum integrante da família terá mandato eletivo em vigor.
UM CICLO DE SETE DÉCADAS
A trajetória começou com José Sarney, que chegou à Câmara dos Deputados em 1955 e permaneceu no cargo por três mandatos consecutivos. Depois, foi governador do Maranhão, senador, vice-presidente e presidente da República entre 1985 e 1990.
Após deixar a Presidência, Sarney voltou ao Senado, desta vez pelo Amapá, onde permaneceu até 2015. A longevidade de sua carreira fez do sobrenome Sarney um dos mais conhecidos da política brasileira.
A família, entretanto, não se limitou à trajetória do patriarca.
ROSEANA MANTEVE O SOBRENOME NO PODER
Filha de José Sarney, Roseana foi eleita deputada federal pela primeira vez em 1990. Quatro anos depois, chegou ao Governo do Maranhão, onde permaneceu por dois mandatos.
Em 2002, foi eleita senadora pelo estado e permaneceu no Senado até 2009, quando retornou ao governo maranhense. Em 2022, voltou ao Congresso como deputada federal.
A tentativa de retornar ao Senado em 2026, porém, terminou sem sucesso.
A derrota encerra a presença institucional direta da família no Congresso.
ZEQUINHA E A TERCEIRA GERAÇÃO
Outro nome importante foi José Sarney Filho, o Zequinha Sarney, irmão de Roseana. Ele foi deputado estadual e posteriormente deputado federal pelo Maranhão por nove mandatos consecutivos, entre 1983 e 2019.
Também ocupou o Ministério do Meio Ambiente nos governos Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.
A terceira geração chegou à política com Adriano Sarney, neto de José Sarney. Ele exerceu dois mandatos como deputado estadual do Maranhão, entre 2015 e 2023.
Desde então, nenhum integrante da família conseguiu manter uma cadeira eletiva.
O FIM DA PRESENÇA NO CONGRESSO
O resultado de 2026 não significa necessariamente o desaparecimento da influência política do grupo no Maranhão. O que muda é a presença formal da família nos cargos eletivos.
Durante décadas, pelo menos um integrante dos Sarney ocupou mandato em alguma esfera do poder.
Esse ciclo começou com José Sarney nos anos 1950 e atravessou governos estaduais, Congresso Nacional e até a Presidência da República.
Agora, pela primeira vez em 72 anos, o sobrenome Sarney não estará entre os detentores de mandatos eletivos.
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