Troca de acusações sobre documentos e quebra de sigilo amplia tensão na Corte antes de sessão extraordinária
A crise interna no Supremo Tribunal Federal ganhou um novo capítulo com a troca de acusações entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em torno das investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, Moraes afirmou que Mendonça teria omitido documentos e promovido a retirada seletiva do sigilo de peças do processo. As críticas surgiram depois da divulgação de um relatório da Polícia Federal contendo supostas mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro.
Moraes também pediu a apuração da conduta de Mendonça por possíveis irregularidades. As acusações ainda não foram julgadas e não representam uma conclusão sobre eventual responsabilidade do ministro.
Mendonça, por sua vez, sustenta que foram divulgadas todas as peças efetivamente disponíveis e afirma que as divergências na quantidade de documentos decorreriam da existência de materiais internos ou transferidos entre procedimentos.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou que Mendonça encaminhasse, no prazo de 24 horas, todos os documentos relacionados ao caso. A Procuradoria-Geral da República havia informado anteriormente que parte relevante do material ainda não estava disponível para análise.
Gilmar Mendes e Cristiano Zanin também solicitaram acesso integral aos documentos e aos dados extraídos do aparelho de Vorcaro. Os pedidos refletem dúvidas dentro da própria Corte sobre a possibilidade de julgamento sem o conhecimento completo das provas.
A crise começou a se intensificar depois que Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A decisão foi posteriormente questionada por outros ministros.
Fachin suspendeu os efeitos das decisões conflitantes e convocou uma sessão extraordinária para o dia 15 de setembro. O plenário deverá analisar a validade das medidas adotadas e definir os próximos passos das investigações.
Até o momento, as acusações trocadas entre os ministros permanecem em análise, sem decisão definitiva do Supremo.
