Uma nova medicação oral para o tratamento da apneia obstrutiva do sono avançou para uma etapa decisiva nos Estados Unidos e pode, se aprovada, criar uma alternativa ao tradicional CPAP para milhões de pacientes que não conseguem se adaptar ao aparelho.
O medicamento experimental AD109, desenvolvido pela farmacêutica Apnimed, combina aroxibutinina e atomoxetina e foi desenvolvido para atuar sobre a atividade dos músculos das vias aéreas superiores durante o sono, ajudando a evitar o colapso da garganta que provoca as interrupções respiratórias.
RESULTADOS EM ESTUDOS DE FASE 3
Um dos principais estudos, o SynAIRgy, acompanhou 646 adultos com apneia leve, moderada ou grave que não conseguiam utilizar ou haviam recusado terapias de pressão positiva, como o CPAP.
Após 26 semanas, o índice de apneia e hipopneia caiu, em média, 44,1% entre os participantes que receberam AD109, contra 17,6% no grupo placebo. Também houve melhora em indicadores relacionados à queda de oxigênio durante o sono.
Os resultados, porém, não significam que a doença tenha sido eliminada em todos os pacientes. A análise científica mostra respostas diferentes entre os participantes e não identificou melhora estatisticamente significativa em todos os indicadores avaliados, como a fadiga relatada pelos pacientes.
EFEITOS COLATERAIS AINDA SÃO UM PONTO DE ATENÇÃO
O estudo registrou como reações adversas mais frequentes boca seca, insônia, náusea e dificuldade para urinar.
Além disso, 21,2% dos participantes que receberam AD109 interromperam o tratamento por causa de eventos adversos, contra 3,1% no grupo placebo. Não foram registrados eventos adversos graves relacionados ao medicamento no estudo.
FDA JÁ ANALISA O PEDIDO
A novidade mais recente é que a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aceitou em julho de 2026 o pedido de registro do AD109.
A FDA estabeleceu 28 de fevereiro de 2027 como data-alvo para uma decisão regulatória. Até lá, o medicamento permanece experimental e não pode ser tratado como uma terapia aprovada.
A própria Apnimed informa que o AD109 foi avaliado em dois estudos de fase 3, SynAIRgy e LunAIRo, envolvendo aproximadamente 1.300 participantes. Os resultados dos dois estudos apresentaram redução estatisticamente significativa do índice de apneia e melhora de parâmetros de oxigenação.
CPAP AINDA É REFERÊNCIA
A possível chegada da pílula não significa o fim do CPAP. O aparelho continua sendo uma das principais terapias para a apneia obstrutiva do sono, especialmente nos casos em que há indicação e boa adaptação ao tratamento.
A relevância do AD109 está principalmente na possibilidade de oferecer uma alternativa para pacientes que não toleram, recusam ou abandonam a terapia com pressão positiva.
É importante destacar também que já existe, nos Estados Unidos, um medicamento aprovado para uma população específica: em dezembro de 2024, a FDA autorizou a tirzepatida para adultos com obesidade e apneia obstrutiva do sono moderada a grave, em conjunto com dieta de menor aporte calórico e atividade física. Trata-se, porém, de uma abordagem diferente da proposta pelo AD109.
UMA NOVA FRENTE NO TRATAMENTO DA APNEIA
Se receber aprovação, o AD109 poderá representar uma mudança importante no tratamento da apneia ao oferecer uma opção oral de uso noturno voltada diretamente ao componente neuromuscular do problema.
Mas a etapa decisiva ainda está em andamento: resultados promissores de ensaios clínicos não equivalem a aprovação, segurança comprovada para uso amplo ou disponibilidade no mercado.
A possível substituição do CPAP, portanto, ainda é uma perspectiva futura. O que já existe é uma evidência clínica relevante de que uma terapia oral pode se tornar mais uma ferramenta contra uma doença associada a problemas cardiovasculares, metabólicos e cognitivos quando não tratada adequadamente.
Portal Vilela 24hs — informação que acompanha a ciência e antecipa as mudanças que podem transformar a saúde.
