A Uber anunciou uma ampla reestruturação global que resultará na eliminação de aproximadamente 3.300 postos de trabalho, cerca de 10% de sua força de trabalho corporativa. Dias depois, o CEO da companhia, Dara Khosrowshahi, afirmou que parte da economia gerada pelos cortes poderá chegar aos passageiros na forma de viagens mais baratas.
A declaração foi feita durante a conferência Communacopia + Technology, do Goldman Sachs, nos Estados Unidos. Segundo Khosrowshahi, a redução de custos também deverá contribuir para melhorar a oferta de viagens e financiar investimentos considerados estratégicos para o futuro da empresa.
UBER QUER UMA ESTRUTURA MAIS ENXUTA
A companhia afirma que a reestruturação tem como objetivo tornar a organização mais simples e rápida, reduzindo níveis hierárquicos, equipes muito pequenas e estruturas administrativas consideradas excessivamente complexas.
A medida atinge principalmente funções corporativas e de gestão. A Uber informou que pretende reduzir significativamente o número de camadas administrativas e aproximadamente metade das chamadas “microequipes”, formadas por apenas um ou dois profissionais.
A empresa tinha cerca de 34 mil funcionários no fim de 2025. Com os cortes anunciados, o quadro corporativo deverá ficar abaixo de 30 mil trabalhadores.
ECONOMIA PODE CHEGAR AO PASSAGEIRO
A possibilidade de redução das tarifas chamou atenção porque, segundo o CEO, os recursos economizados não serão destinados exclusivamente à melhora das margens da companhia.
Khosrowshahi afirmou que os passageiros poderão perceber os efeitos da reestruturação no preço das viagens e na oferta disponível no aplicativo.
A declaração, entretanto, não representa o anúncio de uma tabela de preços mais baixa. A Uber não estabeleceu percentual de redução, data para eventual queda das tarifas ou garantia de que todas as viagens ficarão mais baratas.
Os valores cobrados pelo aplicativo continuam sujeitos ao modelo de preços dinâmicos, que considera fatores como demanda, disponibilidade de motoristas, horário e região.
CONCORRÊNCIA COM CARROS AUTÔNOMOS AUMENTA
A mudança ocorre em um momento de transformação no setor de transporte por aplicativo.
A Uber vem ampliando seus investimentos em tecnologias de direção autônoma e parcerias com empresas especializadas. Em setembro, a companhia anunciou, por exemplo, o início das primeiras viagens autônomas da plataforma no Reino Unido em parceria com a Wayve.
O avanço de empresas de robotáxis, como a Waymo, também aumenta a pressão sobre a Uber para reduzir custos e acelerar sua adaptação ao transporte autônomo.
Nesse cenário, a redução da estrutura administrativa pode liberar recursos para duas frentes simultâneas: tentar oferecer preços mais competitivos aos passageiros e financiar a transição tecnológica da empresa.
O QUE MUDA PARA O BRASIL?
Por enquanto, não há anúncio de uma redução geral das tarifas da Uber no Brasil em consequência dos cortes globais.
O efeito sobre o passageiro brasileiro dependerá das decisões comerciais da empresa em cada mercado. Portanto, a declaração do CEO deve ser interpretada como uma possibilidade estratégica, e não como promessa de que a próxima viagem de Uber será necessariamente mais barata.
Para os usuários, a eventual redução de preços pode representar uma vantagem. Para os trabalhadores atingidos, entretanto, a reestruturação significa a eliminação de milhares de empregos corporativos.
A movimentação mostra uma Uber tentando operar com uma estrutura mais enxuta justamente quando enfrenta uma nova disputa tecnológica: de um lado, a pressão por preços competitivos; de outro, a corrida para dominar o mercado de veículos autônomos.
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