Número representa alta de 15% em relação a junho e de 70% na comparação com fevereiro; mais da metade dos detidos não tinha condenação ou acusação criminal
O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ICE, registrou 49.571 detenções em julho de 2026, o maior número mensal desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump.
Os dados mais recentes foram divulgados na sexta-feira (21) e são baseados em informações fornecidas pelo próprio ICE ao Deportation Data Project, da Universidade da Califórnia, Berkeley. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (25) pela Associated Press e repercutido pela imprensa internacional.
O resultado representa um aumento de aproximadamente 15% em relação às detenções registradas em junho e de 70% na comparação com fevereiro, quando foram contabilizadas 29.241 detenções.
Aumento ocorre em meio à política de deportações de Trump
O crescimento das detenções ocorre no contexto da intensificação da política migratória adotada pela administração Trump, que tem ampliado os recursos destinados ao controle migratório e às operações do ICE.
Segundo a apuração da AP, a estratégia passou a incluir não apenas grandes operações ostensivas em áreas urbanas, mas também ações menos visíveis, como detenções decorrentes de abordagens de trânsito e operações realizadas com a cooperação de forças policiais estaduais e municipais por meio dos acordos conhecidos como 287(g).
Texas e Flórida, dois estados governados por republicanos e que mantêm ampla cooperação com as autoridades federais de imigração, responderam juntos por quase 20 mil detenções em julho, segundo os dados analisados pela AP.
Nem todos os detidos tinham antecedentes criminais
Um dos aspectos mais relevantes dos números de julho é o perfil das pessoas alcançadas pelas operações.
De acordo com a Associated Press, mais da metade das pessoas detidas pelo ICE no mês não possuía condenação ou acusação criminal. Isso significa que o recorde não pode ser interpretado simplesmente como uma operação voltada exclusivamente a estrangeiros condenados por crimes.
A informação é especialmente relevante porque o governo Trump tem defendido uma política de fiscalização migratória mais abrangente, enquanto organizações de defesa dos imigrantes criticam a ampliação das operações e questionam seus impactos sobre pessoas sem antecedentes criminais.
Número de detenções não é número de deportações
Outro ponto que merece atenção é a diferença entre detenção e deportação.
Os 49.571 registrados em julho correspondem às pessoas detidas pelo ICE naquele mês. Isso não significa que todas tenham sido imediatamente deportadas dos Estados Unidos.
Depois de uma detenção, o processo migratório pode seguir diferentes caminhos, dependendo da situação jurídica de cada pessoa, incluindo procedimentos administrativos, decisões judiciais, liberação ou deportação.
A distinção é fundamental para evitar que o dado seja apresentado de maneira equivocada como se representasse o número de estrangeiros efetivamente expulsos do território norte-americano.
Crescimento acelerado desde o início do segundo mandato
O volume de detenções aumentou de maneira expressiva desde a posse de Trump em janeiro de 2025.
Segundo os dados analisados pela AP, as detenções de julho foram aproximadamente seis vezes superiores às registradas em dezembro de 2024, último mês completo antes do retorno de Trump à Casa Branca. Em fevereiro de 2026, foram 29.241 detenções; em junho, cerca de 43 mil; e, em julho, o número chegou a 49.571.
O avanço também ocorre em meio à expansão da estrutura do ICE. A própria agência anunciou uma campanha de recrutamento que recebeu mais de 220 mil candidaturas para mais de 10 mil posições, evidenciando a ampliação dos recursos humanos destinados à fiscalização migratória durante o governo Trump.
Estratégia provoca controvérsia nos Estados Unidos
A política migratória do governo Trump continua provocando forte reação dentro dos Estados Unidos.
Defensores da estratégia afirmam que o endurecimento da fiscalização é necessário para controlar a imigração irregular e cumprir as promessas de campanha do presidente. Organizações de direitos civis, por outro lado, questionam operações que alcançam pessoas sem condenações criminais e apontam possíveis impactos sobre famílias, trabalhadores e solicitantes de asilo.
O aumento das detenções ocorre, portanto, em meio a um dos períodos de maior endurecimento da política migratória norte-americana das últimas décadas.
Com 49.571 detenções em julho, o ICE estabeleceu o maior registro mensal do segundo mandato de Donald Trump e reforçou a dimensão da ofensiva migratória promovida pela atual administração norte-americana.
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