Presidente do Banco Central destaca alcance do sistema de pagamentos instantâneos, rebate desinformação e afirma que evolução tecnológica deve continuar
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu o Pix e destacou a importância do sistema para a inclusão financeira dos brasileiros durante sua participação na Febraban Tech 2026, realizada nesta segunda-feira (24).
A manifestação ocorre em um momento de forte debate internacional envolvendo o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos e críticas vindas dos Estados Unidos. Galípolo, entretanto, concentrou sua fala principalmente nos resultados alcançados pelo Pix, na expansão dos serviços financeiros e nos próximos desafios do sistema.
Segundo dados apresentados pelo presidente do BC, o Pix alcançou 140 milhões de consumidores e 12,8 milhões de empresas em 2025. No mesmo ano, foram realizadas aproximadamente 80 bilhões de transações, movimentando cerca de R$ 35 trilhões.
Galípolo: Pix ampliou a inclusão financeira
Durante o evento, Galípolo afirmou que a criação do Pix contribuiu para acelerar a inclusão da população no sistema financeiro brasileiro.
O presidente do BC destacou que, antes da criação do sistema, o processo de inclusão financeira vinha apresentando pouca evolução. A expansão dos pagamentos instantâneos teria contribuído para ampliar o acesso de consumidores e empresas a serviços financeiros.
A dimensão alcançada pelo Pix também pode ser observada nos dados oficiais do Banco Central. Em 17 de agosto de 2026, por exemplo, o sistema registrou mais de 232 milhões de transações liquidadas no Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), movimentando aproximadamente R$ 154,9 bilhões naquele dia.
Presidente do BC critica desinformação sobre o Pix
Galípolo também chamou atenção para a circulação de informações falsas relacionadas ao sistema.
Segundo o presidente do Banco Central, o Pix alcançou um nível elevado de confiança entre os brasileiros e resistiu a sucessivas ondas de desinformação.
Ele recomendou que usuários procurem informações diretamente nos canais oficiais do Banco Central antes de compartilhar mensagens sobre mudanças nas regras, cobranças ou supostos bloqueios relacionados ao sistema.
A recomendação é particularmente relevante porque o próprio Banco Central vem promovendo alterações técnicas e regulatórias no sistema. Isso significa que mudanças reais nas regras podem ser facilmente confundidas com boatos ou informações falsas nas redes sociais.
Pix continua em evolução
A defesa feita por Galípolo não significa que o Banco Central considere o Pix um sistema acabado.
Pelo contrário: a autoridade monetária continua atualizando normas e padrões técnicos relacionados à modalidade.
Em 19 de agosto, por exemplo, o Banco Central publicou a Instrução Normativa BCB nº 769, que divulgou a versão 2.10.0 do Manual de Padrões para Iniciação do Pix. O documento integra o Regulamento do Pix e atualiza especificações técnicas utilizadas no sistema.
Também em agosto, o BC publicou a Resolução BCB nº 584, alterando procedimentos e controles destinados à prevenção de fraudes na prestação de serviços de pagamento.
As medidas mostram que a expansão do Pix vem acompanhada de uma preocupação crescente com segurança, prevenção a fraudes e gerenciamento de riscos.
Inclusão financeira também trouxe novos riscos
Apesar de defender os resultados do Pix, Galípolo fez uma ressalva importante.
Para o presidente do Banco Central, a maior inclusão financeira também pode aumentar determinados riscos, principalmente quando o acesso facilitado a serviços financeiros vem acompanhado de expansão do crédito.
Ele citou o endividamento de usuários de cartão de crédito e chamou atenção para o problema de utilizar crédito para financiar consumo sem formação de patrimônio, especialmente em um ambiente de juros elevados.
Segundo os números apresentados por Galípolo, cerca de 52,8 milhões dos 96 milhões de usuários de cartão de crédito estavam endividados no rotativo ou no parcelamento com cobrança de juros. As taxas mensais mencionadas pelo presidente do BC chegam a 15,1%.
A questão, portanto, não seria simplesmente impedir o acesso ao crédito, mas garantir que consumidores e instituições financeiras compreendam e administrem adequadamente os riscos.
Banco Central estuda novas medidas
Galípolo afirmou ainda que o Banco Central trabalha em medidas relacionadas à educação financeira e ao controle de riscos das instituições.
A preocupação é evitar que o crescimento de determinadas modalidades financeiras seja acompanhado por uma transferência inadequada dos riscos para o sistema como um todo.
A autoridade monetária também vem reforçando mecanismos de segurança relacionados ao próprio Pix. As recentes alterações regulatórias mostram que o sistema permanece em processo de aperfeiçoamento.
E os ataques dos Estados Unidos?
O contexto internacional adicionou uma dimensão política ao debate.
Críticas norte-americanas ao Pix e às políticas brasileiras envolvendo o sistema de pagamentos passaram a integrar uma discussão mais ampla sobre comércio, tecnologia, concorrência e serviços financeiros.
Entretanto, é preciso evitar uma simplificação importante: não há evidência de que o Banco Central esteja defendendo o Pix simplesmente porque existe uma disputa política com os Estados Unidos.
A posição de Galípolo apresentada na Febraban Tech foi fundamentada principalmente em dados de utilização, inclusão financeira, confiança dos usuários e evolução tecnológica.
Também não há base para afirmar que os Estados Unidos tenham conseguido interromper ou limitar o funcionamento do Pix no Brasil.
Os próprios dados oficiais do Banco Central demonstram que o sistema continua operando normalmente e registrando centenas de milhões de transações.
Pix virou uma das principais infraestruturas financeiras do país
Cinco anos depois de sua criação, o Pix deixou de ser apenas uma alternativa às transferências bancárias tradicionais.
O sistema passou a fazer parte da infraestrutura cotidiana de pagamentos de pessoas físicas, empresas e instituições públicas.
A escala alcançada é justamente o principal argumento utilizado pelo Banco Central para defender sua continuidade e expansão.
Mas a popularização também impõe novos desafios: fraudes, golpes, proteção dos usuários, educação financeira, privacidade, segurança tecnológica e prevenção ao uso inadequado do crédito.
Nesse sentido, a defesa do Pix feita por Galípolo não significa ignorar seus problemas. O próprio presidente do BC reconheceu que a ampliação do acesso financeiro trouxe riscos que precisam ser administrados.
O que é fato neste momento
✔️ O Pix continua funcionando normalmente no Brasil.
✔️ O sistema alcançou 140 milhões de consumidores e 12,8 milhões de empresas em 2025.
✔️ Foram realizadas cerca de 80 bilhões de transações em 2025, movimentando aproximadamente R$ 35 trilhões.
✔️ O Banco Central continua atualizando regras e padrões técnicos do Pix.
✔️ A autoridade monetária também reforçou mecanismos de prevenção a fraudes.
✔️ Galípolo reconheceu que a expansão dos serviços financeiros também pode aumentar riscos de endividamento.
❌ Não há fundamento para afirmar que o Pix esteja sendo encerrado ou que tenha sido retirado de circulação.
❌ Também não é correto transformar críticas internacionais ao sistema em prova de que exista uma tentativa comprovada de “acabar com o Pix”.
O que os dados mostram é outra realidade: o sistema continua funcionando, crescendo e sendo aperfeiçoado pelo Banco Central — ao mesmo tempo em que enfrenta desafios legítimos de segurança, crédito e regulamentação.
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Fontes: Banco Central do Brasil; Febraban Tech 2026; estatísticas oficiais do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) e normas regulatórias do Pix.
