Estudo analisou mais de 20 mil contratos e mostra concentração de recursos em um grupo reduzido de artistas e produtoras.
Um levantamento divulgado pelo observatório De Olho nos Ruralistas revelou que apenas 40 artistas e bandas receberam, juntos, R$ 3,08 bilhões em cachês pagos por prefeituras e governos estaduais entre janeiro de 2024 e março de 2026. O estudo analisou mais de 20 mil contratos públicos firmados para apresentações musicais em todo o país e aponta forte concentração dos recursos em um grupo restrito de artistas e produtoras.
Segundo a pesquisa, somente um artista acumulou R$ 158 milhões em contratos no período analisado. O relatório também conclui que cinco grandes produtoras concentram parcela significativa desse mercado, administrando boa parte dos artistas mais contratados pelo poder público.
Entre os nomes citados no levantamento estão Wesley Safadão, Xand Avião, Ana Castela, João Gomes, Léo Santana, Maiara & Maraisa, Nattan, Pablo, Mari Fernandez, Simone Mendes, Leonardo e Belo, entre outros artistas que aparecem entre os maiores recebedores de cachês públicos.
Os pesquisadores afirmam que o objetivo do estudo não é questionar a realização de festas populares, mas ampliar o debate sobre a transparência dos contratos e a utilização dos recursos públicos destinados aos eventos. O relatório destaca ainda que cerca de 40% dos contratos analisados não estavam disponíveis no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), exigindo cruzamento de dados com diários oficiais, tribunais de contas e outros documentos públicos.
A publicação reacende um debate recorrente no país: até que ponto os altos investimentos em grandes atrações musicais são compatíveis com a realidade financeira de municípios que, muitas vezes, enfrentam dificuldades para custear áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura. Ao mesmo tempo, defensores das contratações argumentam que grandes eventos movimentam a economia, fortalecem o turismo e geram emprego e renda.
