Projeto utiliza carvão produzido da jurema-preta e pode tratar água por um custo de apenas 50 centavos em materiais filtrantes.

Um projeto criado por duas estudantes da rede pública de ensino do Ceará está chamando a atenção da comunidade científica internacional. As alunas Kalyne Vitória Falcão e Lauanda Vitoriano Lima, da Escola Estadual de Educação Profissional Antônio Rodrigues de Oliveira, em Pedra Branca, desenvolveram um filtro de água utilizando carvão ativado produzido a partir da biomassa da jurema-preta, planta típica do semiárido nordestino.
O sistema foi desenvolvido para oferecer uma alternativa de baixo custo ao tratamento de água em regiões que enfrentam escassez hídrica. Segundo as pesquisadoras, o filtro utiliza camadas de pedras, areia, carvão ativado e fibra siliconada. O custo da fibra utilizada no processo é de cerca de 50 centavos, tornando a tecnologia muito mais acessível que filtros convencionais.
Os testes realizados demonstraram que o equipamento é capaz de ajustar parâmetros físico-químicos importantes da água, como pH, condutividade e sólidos dissolvidos, tornando-a apta para consumo após o tratamento. Os resultados foram publicados em artigo científico na Revista Ceará Científico.
O desempenho do projeto levou as estudantes à Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), realizada nos Estados Unidos, considerada a maior feira de ciências para estudantes do mundo. Lá, elas conquistaram o primeiro lugar na categoria patrocinada pela USAID, recebendo um prêmio de US$ 5 mil pelo potencial social e ambiental da tecnologia.
Além do reconhecimento internacional, o projeto abre caminho para futuras aplicações em comunidades do semiárido brasileiro, onde o acesso à água potável ainda representa um grande desafio.
Fontes: Revista Ceará Científico
