Dois ataques contra ambientalistas marcaram a escalada de tensão na Serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina. No primeiro, ocorrido entre 30 de abril e 1º de maio, homens armados invadiram a Toca do Lobo, renderam os ambientalistas Marcos Fantini e Alcione Corrêa, destruíram equipamentos de comunicação e energia e obrigaram o casal a deixar o local.
Pouco mais de um mês depois, um segundo ataque atingiu novamente a Toca do Lobo. O imóvel foi encontrado com paredes destruídas e parte da estrutura incendiada. Na ocasião, os ambientalistas já não estavam no local por razões de segurança.
Mesmo diante dos episódios de violência, a Serra da Chapadinha ainda enfrenta a ausência de uma estrutura efetiva e permanente de fiscalização. O Ministério Público Federal chegou a cobrar medidas de proteção para os ambientalistas e a ocupação do posto avançado por órgãos ambientais.
Agora, o território ganhou proteção legal. O Governo da Bahia criou o Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha, com aproximadamente 18,3 mil hectares, abrangendo áreas de Itaetê, Ibicoara, Mucugê e Iramaia. A gestão ficará sob responsabilidade do Inema.
A unidade busca proteger uma região pressionada por conflitos fundiários, mineração, grilagem e outras atividades consideradas incompatíveis com a conservação ambiental. O desafio, porém, começa depois da assinatura do decreto: fazer a proteção chegar ao território.
DEPOIS DE DOIS ATAQUES, A SERRA GANHOU UM DECRETO. AGORA PRECISA GANHAR PRESENÇA DO ESTADO.
