Oposição defende uma alternativa baseada em jornada flexível e negociação entre trabalhadores e empregadores; proposta que acaba com a escala 6×1 já avançou na Câmara e começou a tramitar na CCJ do Senado
A disputa em torno do fim da escala de trabalho 6×1 ganhou um novo capítulo no Senado Federal. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, articula com aliados uma estratégia para impedir que a proposta aprovada pela Câmara avance rapidamente na Casa.
A movimentação ocorre justamente quando o Senado começou a analisar as propostas que tratam da jornada de trabalho. A PEC que prevê o fim da escala 6×1 chegou à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e deverá passar por análise antes de eventual votação no Plenário.
A estratégia da oposição, entretanto, não consiste simplesmente em rejeitar qualquer mudança na jornada. O grupo ligado a Flávio Bolsonaro defende uma proposta alternativa, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que estabelece um modelo de jornada flexível.
Oposição quer substituir o modelo por jornada flexível
A chamada PEC 12/2026, de autoria de Rogério Marinho e subscrita por dezenas de senadores, entre eles Flávio Bolsonaro, prevê a possibilidade de o trabalhador escolher entre o regime tradicional da CLT e um modelo flexível baseado em horas trabalhadas.
Segundo o texto oficialmente registrado no Senado, o empregado poderia optar pelo regime tradicional ou por uma modalidade de jornada flexível, com direitos trabalhistas proporcionais à carga horária.
A proposta conta com Flávio Bolsonaro entre seus autores e foi apresentada em 28 de maio de 2026. Atualmente, permanece em tramitação na CCJ do Senado.
É justamente essa alternativa que a oposição pretende colocar no centro do debate.
Flávio evita assumir discurso de rejeição ao fim da 6×1
A estratégia política é delicada.
O fim da escala 6×1 possui forte apelo popular e, por isso, uma oposição frontal à medida poderia produzir desgaste eleitoral. Pesquisa Datafolha citada pela imprensa apontou 71% de apoio dos brasileiros ao fim da escala.
Em vez de simplesmente defender a manutenção da atual jornada, aliados de Flávio Bolsonaro passaram a enfatizar conceitos como liberdade de escolha, negociação e flexibilidade.
Rogério Marinho, que coordena a campanha de Flávio à Presidência e lidera a oposição no Senado, afirmou que o tema não deveria ser votado antes das eleições.
A justificativa apresentada é que a discussão não deveria ser contaminada pelo processo eleitoral.
Na prática, porém, o adiamento teria como consequência impedir que a proposta defendida pelo governo Lula seja aprovada antes do primeiro turno.
O que está em jogo
A proposta aprovada pela Câmara prevê uma mudança significativa no regime de trabalho.
O texto aprovado pelos deputados estabelece jornada máxima de 40 horas semanais e dois dias de descanso por semana, alterando o modelo atualmente associado à escala 6×1.
A proposta agora está no Senado e ainda precisa percorrer o processo legislativo antes de uma eventual promulgação.
Já a PEC 12/2026, apoiada por Flávio e apresentada por Rogério Marinho, segue caminho diferente.
Em vez de estabelecer simplesmente uma nova jornada máxima, ela cria a possibilidade de regimes diferenciados de contratação e remuneração baseados nas horas efetivamente trabalhadas. O próprio Senado descreve a proposta como uma alternativa entre o regime comum da CLT e um modelo flexível.
Debate coloca trabalhador e empresário em lados diferentes
O confronto promete ser um dos principais debates trabalhistas do Congresso durante o período eleitoral.
Defensores do fim da 6×1 argumentam que a redução da jornada e a ampliação dos períodos de descanso podem melhorar a qualidade de vida, reduzir o desgaste dos trabalhadores e redistribuir o tempo entre trabalho, família e lazer.
Já os defensores da flexibilização sustentam que diferentes setores da economia possuem necessidades distintas e que trabalhadores e empresas deveriam ter maior liberdade para estabelecer jornadas de acordo com suas realidades.
A discussão, portanto, não é apenas sobre quantidade de horas trabalhadas.
É também sobre quem terá maior poder para definir como essas horas serão distribuídas: a legislação, a negociação coletiva ou o acordo entre empregado e empregador.
Governo quer acelerar votação
O governo federal trabalha para acelerar a tramitação da PEC que acaba com a escala 6×1.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, destravou a tramitação da proposta e encaminhou o texto para a CCJ. A intenção governista é tentar levar a matéria ao Plenário ainda antes do período eleitoral mais intenso.
O calendário, entretanto, é apertado.
Com as eleições de outubro, o Congresso terá uma janela reduzida para votações antes do primeiro turno. A expectativa é de esforço concentrado entre 31 de agosto e 4 de setembro, período em que as articulações deverão se intensificar.
Uma batalha que também é eleitoral
O fim da escala 6×1 transformou-se em uma das bandeiras trabalhistas mais populares do debate político de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido a aprovação da medida e pretende levar o tema para a campanha eleitoral.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta apresentar uma alternativa que não seja percebida simplesmente como defesa da escala 6×1, mas como uma proposta de maior autonomia para trabalhadores e empregadores negociarem jornadas.
Seu plano de governo para 2026 não inclui explicitamente o fim da escala 6×1 e defende maior flexibilidade nas relações de trabalho e a prevalência do negociado sobre o legislado.
O que acontece agora?
A PEC do fim da escala 6×1 e a proposta alternativa de jornada flexível ainda precisam avançar no Senado.
A PEC 12/2026, de Rogério Marinho e apoiada por Flávio Bolsonaro, está oficialmente em tramitação na CCJ. O texto permite a opção por uma jornada flexível baseada em horas trabalhadas.
A proposta que prevê o fim da escala 6×1 também começou a tramitar na comissão.
O próximo embate será, portanto, definir qual modelo terá prioridade e chegará primeiro ao Plenário.
Mais do que uma disputa entre governo e oposição, o debate deverá colocar em confronto duas concepções diferentes sobre o futuro das relações de trabalho no Brasil: reduzir a jornada e ampliar o descanso ou flexibilizar a jornada por meio de acordos entre trabalhadores e empregadores.
Entenda as duas propostas
Fim da escala 6×1
- Prevê redução da jornada semanal;
- Estabelece dois dias de descanso;
- Busca substituir o modelo de seis dias trabalhados por um de maior equilíbrio entre trabalho e descanso;
- Já foi aprovada pela Câmara e chegou ao Senado.
PEC 12/2026 — jornada flexível
- Tem Rogério Marinho como principal autor;
- Conta com Flávio Bolsonaro entre os signatários;
- Permite opção entre o regime tradicional da CLT e um modelo baseado em horas trabalhadas;
- Está em tramitação na CCJ do Senado.
Portal Vilela 24hs continuará acompanhando a tramitação das propostas e os próximos movimentos do Senado.
