Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai elevou a temperatura nas relações entre Brasília e Assunção e provocou uma reação incomum do governo paraguaio. Em poucas horas, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, entrou em contato telefônico com Lula para tratar do assunto e, paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores do país convocou o embaixador brasileiro, José Antônio Marcondes de Carvalho, para receber uma nota oficial de protesto.

O episódio representa um dos momentos de maior tensão diplomática entre os dois países nos últimos anos. Embora Brasil e Paraguai mantenham uma histórica relação de cooperação econômica e estratégica, especialmente em torno de Itaipu Binacional e do Mercosul, declarações envolvendo um dos capítulos mais sensíveis da história paraguaia despertaram forte reação política em Assunção.
Segundo o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, além da conversa entre os dois presidentes, o governo decidiu formalizar sua posição por meio de uma nota diplomática que será entregue ao representante brasileiro. A reunião foi convocada para esta sexta-feira e contará com a presença de integrantes da cúpula do governo paraguaio.
A Guerra do Paraguai, travada entre 1864 e 1870, permanece como um dos episódios mais traumáticos da história daquele país. Qualquer referência pública ao conflito costuma gerar forte repercussão interna, sobretudo quando parte de chefes de Estado ou autoridades estrangeiras. Por isso, o episódio rapidamente ultrapassou o campo das declarações políticas e alcançou o âmbito das relações diplomáticas entre as duas nações.
Até o momento, o Palácio do Planalto não detalhou o conteúdo da conversa entre Lula e Santiago Peña nem informou se haverá manifestação oficial sobre a nota diplomática anunciada pelo governo paraguaio. A expectativa agora recai sobre a condução do Itamaraty, responsável por administrar o impasse e evitar que o episódio produza novos desgastes na relação bilateral.
