Ministro demonstrou preocupação com possível impacto em investigações sensíveis; governo recuou e manteve policiais federais cedidos ao Supremo.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou preocupação com a possibilidade de o governo federal retirar delegados da Polícia Federal que atuam cedidos à Corte. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a avaliação do magistrado é de que uma medida desse tipo, caso atingisse gabinetes responsáveis por investigações de grande repercussão, poderia levantar questionamentos sobre eventual tentativa de interferência nas apurações e até configurar discussão sobre obstrução da Justiça.
A preocupação surgiu após o Ministério da Justiça determinar o retorno de mais de uma centena de policiais federais que estavam cedidos a diversos órgãos da administração pública. Entre eles, havia a possibilidade de alcançar delegados que auxiliam ministros do STF em investigações complexas.
Atualmente, quatro delegados da Polícia Federal atuam diretamente em gabinetes de ministros da Corte. Dois deles trabalham com André Mendonça, um auxilia o ministro Luiz Fux e outro integra a equipe do ministro Alexandre de Moraes. Eles prestam apoio técnico em investigações conduzidas no Supremo.
Após a repercussão do tema, o governo decidiu não estender a determinação ao STF. Com isso, os delegados permaneceram em seus respectivos gabinetes, afastando o risco de interrupção dos trabalhos investigativos.
O Ministério da Justiça justificou a revisão do quadro de policiais cedidos como parte de uma reorganização administrativa para reforçar o efetivo da Polícia Federal no combate ao crime organizado. Até o momento, não houve determinação para retirar os delegados que atuam no Supremo.
