O governo de Gana decidiu apresentar formalmente um pedido para ingressar no BRICS, ampliando a lista de países interessados em se aproximar do grupo que reúne importantes economias do Sul Global.
A decisão foi anunciada pelo ministro das Relações Exteriores ganês, Samuel Okudzeto Ablakwa, durante visita do chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, a Acra. Segundo o ministro, o gabinete do presidente John Dramani Mahama aprovou a apresentação da candidatura.
Gana já havia procurado a Índia em busca de apoio. Jaishankar afirmou que o governo indiano apoia a intenção ganesa, mas ressaltou que a eventual entrada depende da avaliação dos demais integrantes do mecanismo.
GANA BUSCA DIVERSIFICAR PARCERIAS
De acordo com o governo ganês, a aproximação com o BRICS faz parte de uma estratégia para ampliar as opções econômicas e diplomáticas do país.
Ablakwa afirmou que a participação no grupo poderia diversificar os parceiros de Gana e ampliar a cooperação com outras nações do Sul Global.
A movimentação ocorre em um momento de expansão do BRICS. O grupo, inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia e China, incorporou a África do Sul e, posteriormente, novos membros como Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.
PEDIDO NÃO SIGNIFICA ADESÃO
A candidatura de Gana ainda precisará cumprir as etapas previstas pelo próprio BRICS.
Segundo as regras divulgadas pelo mecanismo, um país interessado comunica formalmente sua intenção à presidência de turno. O pedido é então compartilhado com os integrantes, enquanto representantes dos países-membros analisam a candidatura e fazem recomendações.
A decisão final sobre a entrada de um novo membro pleno é tomada por consenso entre os líderes do BRICS. Entre os critérios estão equilíbrio geográfico, boas relações com os integrantes, apoio à reforma da governança global e ausência de sanções unilaterais contra outros membros.
Em 2026, a Índia exerce a presidência de turno do BRICS, o que ajuda a explicar a importância política da manifestação de apoio de Nova Délhi à candidatura ganesa.
A possível entrada de Gana representaria mais um movimento de expansão da presença africana no grupo e reforçaria a estratégia do país de ampliar sua inserção internacional para além dos parceiros tradicionais.
Por enquanto, porém, Gana é um país candidato, e não um novo integrante do BRICS.
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