Santiago Peña destaca impostos, localização estratégica e população jovem e anuncia encontro entre empresários dos dois países em Assunção
O Paraguai quer ampliar sua presença no radar dos empresários brasileiros e decidiu fazer o convite pela voz do próprio presidente. Santiago Peña divulgou um vídeo direcionado ao setor empresarial do Brasil incentivando novos investimentos no país vizinho, numa movimentação para estreitar a integração econômica entre as duas nações.
Na mensagem, Peña apresenta como diferenciais paraguaios uma estrutura tributária considerada competitiva pelo governo, localização estratégica no centro da América do Sul e uma população predominantemente jovem. O presidente argumenta que essas características podem ser utilizadas por indústrias brasileiras que buscam aumentar competitividade e acessar novos mercados.
O movimento não se limita ao vídeo. Peña confirmou a realização do Summit Paraguai-Brasil nos dias 12 e 13 de novembro, em Assunção, com participação esperada de representantes do setor empresarial. A agenda deverá tratar de investimentos, comércio bilateral e possibilidades de ampliação da cooperação econômica.
DISPUTA POR INVESTIMENTOS
A mensagem chama atenção porque o Brasil é a maior economia da América do Sul e empresas brasileiras já possuem presença relevante no Paraguai. O país vizinho vem tentando explorar vantagens comparativas para atrair produção, especialmente de companhias interessadas em custos operacionais e tributários distintos dos encontrados no mercado brasileiro.
Na prática, o Paraguai apresenta seu território não apenas como mercado consumidor, mas como uma possível plataforma produtiva para empresas interessadas em operar no Mercosul e ampliar exportações.
Peña também citou a integração regional e os desafios comerciais enfrentados conjuntamente por Brasil e Paraguai, incluindo as relações do Mercosul com outros blocos econômicos.
O convite presidencial ocorre, portanto, dentro de uma estratégia mais ampla de atração de capital privado. Para o empresariado brasileiro, qualquer eventual mudança ou expansão de operação envolve também análise de logística, mão de obra, legislação trabalhista, estabilidade regulatória, tributação e acesso aos mercados consumidores.
O recado político e econômico, porém, está dado: o Paraguai quer disputar de forma mais agressiva uma parcela dos investimentos hoje realizados por empresas brasileiras dentro e fora do país.
