Os empresários Joesley e Wesley Batista, do grupo J&F, visitaram na quarta-feira (2) as instalações da NUCLEP, em Itaguaí (RJ), em uma agenda institucional voltada ao setor nuclear brasileiro. A visita ocorre após a entrada da Âmbar Energia, empresa do grupo, no processo de aquisição da participação da antiga Eletrobras, atual AXIA Energia, na Eletronuclear, responsável pelas usinas de Angra 1 e Angra 2 e pela implantação de Angra 3.
Durante a visita, os empresários conheceram a estrutura industrial da NUCLEP e acompanharam as capacidades da empresa para fabricação de equipamentos de grande porte destinados ao setor nuclear. A estatal mantém histórico de participação na fabricação de componentes para as usinas de Angra e continua relacionada ao fornecimento de equipamentos para o programa nuclear brasileiro.
A aproximação ocorre em um momento estratégico para Angra 3. A Eletronuclear informa que a usina possui 1.405 megawatts de potência projetada e que cerca de 65% da obra já foi realizada. A empresa estima a entrada em operação no fim de 2028, embora o cronograma dependa das decisões relacionadas ao financiamento e à continuidade do empreendimento.
O projeto enfrenta, porém, restrições financeiras. Em julho, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) reconheceu o interesse público do pedido da Eletronuclear para que BNDES e Caixa analisassem a possibilidade de suspensão temporária dos pagamentos de dívidas relacionadas à implantação de Angra 3.
A participação da Âmbar no setor nuclear é resultado de um acordo firmado em outubro de 2025 para aquisição, por R$ 535 milhões, da participação integral da AXIA Energia na Eletronuclear. A operação envolve a fatia que pertencia à antiga Eletrobras e representa a entrada do grupo J&F na estrutura acionária da empresa responsável pelo complexo nuclear de Angra.
A própria NUCLEP informou que a visita dos irmãos Batista teve caráter institucional e permitiu ampliar o diálogo sobre as perspectivas e demandas do setor nuclear. Não houve anúncio, na ocasião, de novo contrato ou de investimento específico entre a NUCLEP e a J&F.
Com Angra 3 ainda dependente de decisões sobre recursos, tarifa e modelo de continuidade, a movimentação do novo sócio privado da Eletronuclear coloca a cadeia industrial nuclear brasileira no centro das atenções.
ANGRA 3 AINDA ESPERA DECISÕES. MAS, NOS BASTIDORES, O FUTURO DA ENERGIA NUCLEAR BRASILEIRA JÁ COMEÇA A GANHAR NOVOS PROTAGONISTAS.
