A segunda edição da ExpoCacau chegou ao fim nesta quinta-feira (27) com mais de 6.800 participantes ao longo dos três dias de programação, consolidando Ilhéus como um dos principais pontos de encontro da cacauicultura brasileira. Realizado no Centro de Convenções, o evento reuniu produtores rurais, especialistas, profissionais da cadeia produtiva, estudantes, empresas e organizações da sociedade civil em torno de debates sobre inovação, tecnologia, sustentabilidade e os desafios para o desenvolvimento do setor.
A feira ampliou sua estrutura nesta edição e ocupou um espaço 25% maior do que no ano anterior, reunindo mais de 60 estandes e representando mais de 75 marcas e empresas ligadas à cadeia produtiva do cacau. A ExpoCacau também recebeu produtores de diferentes regiões do Brasil e representantes de mais de 11 países, reforçando o alcance nacional e internacional do evento.
Para a produtora de cacau Claudia Sá, da Agrícola Cantagalo, a evolução da programação foi um dos pontos que mais chamaram atenção.
“A Expo traz conhecimento, união e fortalecimento da cadeia. Fiquei feliz em ver a quantidade de público e palestras ainda melhores que no ano passado, o que vai permitir ao produtor uma evolução da produtividade e do retorno financeiro”, destacou.
Mais do que uma feira de negócios, a ExpoCacau se firmou como espaço de troca de experiências e disseminação de informações para produtores de diferentes perfis. A produtora familiar Maria do Carmo, de Coaraci, destacou a importância de iniciativas que aproximam o conhecimento técnico de quem está diariamente no campo.
“Esta feira tem sido um espaço de conhecimento, que é o que venho buscar aqui. Sou da zona rural, sou produtora familiar, eu planto, desbroto, colho, faço tudo na minha roça, e venho aqui buscar conhecimento, mesmo sabendo que nossa cultura tem muitos desafios”, afirmou.
A programação também foi marcada por anúncios e acordos voltados ao futuro da cacauicultura. Entre os destaques estiveram o lançamento da Campanha de Trabalho Decente no Cacau, envolvendo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o CocoaAction Brasil, além da assinatura de um acordo de cooperação para transferência de tecnologia e conhecimento aos pequenos agricultores atendidos pelo consórcio no território do Baixo Sul da Bahia.
O acordo envolve o Centro Mars de Ciência do Cacau (MCCS), o CIAPRA, o Instituto Arapyaú e o CocoaAction Brasil, com o objetivo de ampliar o acesso de pequenos produtores ao conhecimento e às tecnologias desenvolvidas para o setor.
Para Leandro Ramos, diretor executivo do CIAPRA, a parceria representa uma oportunidade de aproximar a ciência da realidade vivida pelos produtores.
“Hoje é um dia muito importante para o CIAPRA e, sobretudo, para a cacauicultura do nosso território. Estamos assinando um acordo que nasce de uma ideia simples: o conhecimento construído pela ciência tem que chegar ao campo e se transformar em resultados na vida do produtor”, declarou.
O produtor de cacau e presidente da Câmara Setorial do Cacau da Bahia, Fausto Pinheiro, também destacou a importância da ExpoCacau para a integração entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva.
“A ExpoCacau representa para o sul da Bahia uma iniciativa que fortalece a nossa relação com o comércio, a indústria e a produção primária, um movimento de fundamental importância”, afirmou.
Para o produtor Paulo Peixinho, referência na cacauicultura, a feira se consolida como um espaço estratégico para relacionamento, atualização e inovação.
“É um espaço fundamental para relacionamentos, para assistir a palestras, ver processos de inovação, que são necessários para a cacauicultura, produtos agrícolas e ter uma visão geral do mercado. Espero que a ExpoCacau se perpetue”, ressaltou.
O sucesso da segunda edição reforça uma discussão que vai além dos números da feira: Ilhéus e o Sul da Bahia carregam uma história diretamente ligada ao cacau e possuem condições de voltar a ocupar posição ainda mais relevante na produção nacional. Mas a recuperação do protagonismo do setor passa, inevitavelmente, pela aproximação entre conhecimento científico, inovação, assistência técnica, sustentabilidade e melhores condições para o produtor.
Nesse sentido, a ExpoCacau cumpre um papel estratégico ao colocar, em um mesmo espaço, quem produz, pesquisa, financia, industrializa e comercializa o cacau. O desafio agora é fazer com que o conhecimento compartilhado durante os três dias não fique restrito aos corredores do Centro de Convenções, mas chegue efetivamente às propriedades rurais e se transforme em aumento de produtividade, renda e qualidade de vida para quem vive da cacauicultura.
Realizada pelo CocoaAction Brasil, em parceria com o Governo do Estado da Bahia e a Prefeitura de Ilhéus, a ExpoCacau encerra sua segunda edição deixando a expectativa para o próximo encontro.
A 3ª ExpoCacau já tem data definida: será realizada entre os dias 24 e 26 de agosto de 2027, novamente em Ilhéus, reforçando a permanência da cidade no calendário dos grandes eventos voltados à cacauicultura brasileira.
