O cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback, responsável pelos procedimentos realizados na empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, que morreu após uma cirurgia estética em Ilhéus, é genro do ex-deputado federal e presidente estadual do Avante, Ronaldo Carletto. Rossini é casado desde 2019 com Ana Carolina Carletto, filha do político e empresário.
O vínculo familiar ganha relevância pública diante da repercussão do caso e porque o médico já havia sido alvo de denúncias de pacientes em 2023. Entre os relatos estava o de uma paciente que afirmou ter desenvolvido uma infecção grave após procedimentos com próteses de silicone e lipoaspiração, necessitando posteriormente de cirurgia reparadora. Uma instrumentadora cirúrgica que trabalhou com o profissional também apresentou denúncias naquele período.
O Cremeb informou que não existe atualmente sindicância ou processo ético-profissional em tramitação que cite o médico. Segundo o conselho, os procedimentos anteriores tiveram seus resultados comunicados às partes, mas permanecem protegidos por sigilo. A inexistência de processo em andamento, entretanto, não estabelece, por si só, qualquer conclusão sobre o caso atual.
Adriele, que vivia nos Estados Unidos, retornou à Bahia para realizar quatro procedimentos: mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma. Ela morreu na madrugada de quarta-feira (26), após o procedimento realizado em Ilhéus. A Polícia Civil instaurou investigação para esclarecer as circunstâncias do óbito.
A defesa de Rossini afirma que a cirurgia ocorreu em uma unidade hospitalar licenciada, com centro cirúrgico habilitado e acompanhamento permanente de médica anestesiologista. Segundo os advogados, a paciente apresentou uma alteração súbita e grave na fase final da cirurgia, com sinais compatíveis com hipertermia maligna, uma reação rara e potencialmente fatal associada à exposição a determinados agentes anestésicos. A equipe teria adotado imediatamente medidas de emergência, mas Adriele não respondeu ao tratamento.
A hipertermia maligna é, até o momento, uma hipótese apresentada pela defesa, e não uma conclusão oficial sobre a causa da morte.
Também não há, até agora, comprovação de que a relação familiar entre o médico e Ronaldo Carletto tenha provocado qualquer interferência ou favorecimento nas investigações. O que existe é um vínculo político-familiar que deve ser informado ao público, especialmente diante da existência de denúncias anteriores e da investigação atualmente em curso.
O esclarecimento definitivo dependerá da perícia, dos documentos médicos, dos depoimentos e da investigação policial. Até lá, responsabilidade médica não pode ser presumida — mas também nenhuma hipótese deve ser descartada antes da conclusão das autoridades competentes.
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