Doença já provocou mais de 2,1 mil mortes e chegou a seis províncias; avanço acelerado preocupa autoridades internacionais
O atual surto de Ebola na República Democrática do Congo poderá se tornar o mais mortal da história caso a transmissão continue avançando no ritmo registrado nos últimos meses, alertou a Organização Mundial da Saúde.
Mais de 4,5 mil casos foram confirmados e ao menos 2,1 mil pessoas morreram desde o início da emergência. O surto já alcançou seis províncias congolesas, após a confirmação de uma ocorrência em Bas-Uele.
A epidemia foi oficialmente declarada em 15 de maio de 2026, embora autoridades sanitárias considerem que o vírus já circulava pelo país meses antes de ser identificado. Este é o 17º surto de Ebola registrado na República Democrática do Congo desde 1976.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a doença está avançando em uma velocidade superior à observada nas epidemias anteriores. O surto atingiu a marca de 2 mil mortes quase três vezes mais rapidamente que outras grandes emergências provocadas pelo vírus.
Apesar da projeção preocupante, o número atual de mortes ainda está distante do registrado entre 2014 e 2016 na África Ocidental. Naquela ocasião, mais de 11 mil pessoas morreram, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa.
Portanto, a epidemia atual ainda não é a mais mortal da história. O alerta da OMS se refere à possibilidade de o número ser superado se a transmissão não for controlada.
A situação mais grave está na província de Ituri, que concentra aproximadamente 90% dos casos e 80% das mortes. A região enfrenta conflitos armados, deslocamento populacional, infraestrutura precária e dificuldades para o funcionamento das equipes de saúde.
O surto é provocado pela espécie Bundibugyo do vírus Ebola. Ainda não existe uma vacina ou tratamento especificamente aprovado para essa variante, mas imunizantes e medicamentos experimentais estão sendo testados.
A dificuldade para localizar pessoas que tiveram contato com pacientes infectados também preocupa. Uma parcela expressiva dos novos casos está sendo descoberta fora das listas de acompanhamento, indicando que cadeias de transmissão continuam circulando sem monitoramento.
Greves de profissionais que denunciam atrasos salariais, ataques contra unidades de saúde, desinformação e resistência de algumas comunidades aos protocolos sanitários dificultam ainda mais o controle da doença.
O Ebola é transmitido pelo contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. Corpos de vítimas também permanecem altamente contagiosos, razão pela qual os sepultamentos precisam seguir protocolos de segurança.
A doença não é transmitida pelo ar como gripe ou Covid-19.
Entre os principais sintomas estão febre, fraqueza intensa, dores musculares, vômitos, diarreia e, em alguns casos, sangramentos. O diagnóstico e o atendimento precoce aumentam as possibilidades de sobrevivência.
A OMS espera conseguir reverter a curva de crescimento nos próximos três meses, mas especialistas avaliam que o controle completo poderá levar entre nove meses e um ano.
Até o momento, não existe indicação de circulação relacionada a esse surto no Brasil. O alerta internacional concentra-se na República Democrática do Congo e nos países próximos.
