Levantamento mostra mudança na percepção da população; maioria ainda aponta falta de oportunidades como principal causa da pobreza.
Uma pesquisa do Instituto Datafolha revelou uma mudança significativa na forma como os brasileiros enxergam a pobreza. Segundo o levantamento, 40% dos entrevistados afirmam que a pobreza está relacionada à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar”, percentual que praticamente dobrou em relação a 2022, quando era de 22%. Trata-se do maior índice registrado pelo instituto desde o início da série histórica.
Apesar desse crescimento, a visão predominante continua sendo a de que a pobreza decorre da falta de oportunidades iguais para que as pessoas possam melhorar de vida. Essa foi a resposta de 58% dos entrevistados. No entanto, esse percentual caiu de forma expressiva em comparação aos 76% registrados em 2022, indicando uma mudança no pensamento de parte da população.
O levantamento também identificou diferenças entre grupos sociais. Entre empresários, a associação da pobreza à falta de vontade de trabalhar aparece com maior frequência. Já entre servidores públicos e pessoas com maior escolaridade, prevalece a percepção de que fatores estruturais, como educação, renda e acesso a oportunidades, exercem maior influência sobre a condição econômica.
A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, em 139 municípios, entre os dias 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Os resultados reacendem o debate sobre desigualdade social, mobilidade econômica e o papel das políticas públicas na redução da pobreza no país.
Fontes: Datafolha
