Mais de 20 prefeitos baianos se reuniram nesta quarta-feira, em Salvador, para tratar de um problema que vem tirando o sono dos gestores e colocando em risco uma das maiores tradições culturais do estado: o aumento considerado abusivo nos cachês cobrados por artistas para os festejos juninos.
O encontro aconteceu na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB) e reuniu prefeitos de cidades conhecidas pelos grandes São Joões, como Cruz das Almas, Feira de Santana, Senhor do Bonfim, Santo Antônio de Jesus, Conceição da Feira, entre outras.
A mobilização ganhou força após declarações públicas de prefeitos como Zé Ronaldo, de Feira de Santana, e Zé Cocá, que alertaram para a escalada nos valores cobrados por atrações nacionais. Segundo os gestores, há casos em que cachês simplesmente dobraram de um ano para o outro, tornando inviável a contratação.
“Tem artista que custava cerca de R$ 500 mil e hoje está pedindo R$ 1 milhão. O município não aguenta”, afirmou um dos prefeitos durante a discussão. O impacto já é sentido também no setor privado, com festas particulares praticamente desaparecendo, e agora ameaça diretamente os eventos públicos.
Os gestores alertam ainda para a pressão popular por grandes nomes, enquanto os cofres municipais não acompanham essa realidade. “A população cobra atrações de peso, mas muitas vezes não entende que os valores estão fora da realidade orçamentária das prefeituras”, reforçou outro participante.
O objetivo da reunião é buscar um entendimento coletivo que permita a realização do São João com qualidade, sem comprometer as finanças públicas. Entre as alternativas debatidas está a valorização do forró tradicional e de artistas com cachês compatíveis com a realidade dos municípios.
As decisões e encaminhamentos do encontro devem ser divulgados nos próximos dias à população baiana.
