LIMITE DE R$ 700 MIL GERA REVOLTA NO MEIO ARTÍSTICO

Uma decisão que promete sacudir o São João em todo o Nordeste já está em curso e pode mudar completamente o cenário das festas juninas de 2026. Prefeitos de diversas cidades da região estão se unindo para impor um limite de até R$ 700 mil no cachê de artistas e bandas contratados com dinheiro público.
O movimento, que vem sendo chamado de “São João sem Milhão”, surgiu após uma disparada considerada fora da realidade nos valores cobrados por grandes nomes da música brasileira. Em muitos casos, apresentações passaram a ultrapassar facilmente a marca de R$ 1 milhão por apenas uma noite de show.
A articulação é liderada pela União dos Municípios da Bahia (UPB) e conta com apoio de gestores de outros estados nordestinos, além de órgãos de controle como Ministério Público e Tribunais de Contas, que vêm alertando sobre os riscos de comprometer os cofres públicos com contratações milionárias.
Segundo prefeitos envolvidos na iniciativa, o aumento explosivo nos cachês tem colocado cidades em situações financeiras delicadas. Há municípios que ainda estão pagando dívidas de festas realizadas em anos anteriores. O problema vai além da festa: quando o caixa aperta, áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura acabam sendo afetadas.
A proposta não é cancelar os festejos juninos, mas estabelecer um limite considerado mais responsável e sustentável. A ideia é manter a tradição viva, sem que isso represente prejuízo ou endividamento para os municípios.
Por outro lado, a medida já começa a gerar preocupação entre produtores e artistas, principalmente os de grande porte, que podem deixar de fora cidades menores ou exigir contratações privadas. Especialistas apontam que isso pode provocar uma reconfiguração completa no mercado de shows durante o período junino.
O São João é uma das maiores forças culturais e econômicas do Nordeste, movimentando milhões de reais todos os anos e atraindo turistas de todo o país. Agora, o desafio será encontrar o equilíbrio entre manter o espetáculo e garantir responsabilidade com o dinheiro público.
A decisão final sobre aderir ou não ao limite ainda depende de cada prefeitura, mas o recado já foi dado: a era dos cachês milionários pagos sem questionamento pode estar chegando ao fim.
