A jaca, fruta que sempre foi símbolo de fartura na Bahia, agora virou artigo raro e caro nas feiras livres e mercados do estado. Em diversos pontos de venda, a unidade já está sendo comercializada por até R$ 70, um aumento que chega a mais de 300% em relação ao preço tradicional.
O cenário atual é resultado direto da escassez do produto. Comerciantes relatam dificuldade extrema para encontrar a fruta, inclusive nas grandes centrais de abastecimento. O que antes era comum em quintais, sítios e até à beira de estrada, agora virou oportunidade de lucro, com produtores e atravessadores negociando cada unidade por valores muito acima do habitual.
Feirantes afirmam que a situação é inédita. Muitos percorrem longas distâncias e ainda assim não conseguem garantir estoque. Quando encontram, o preço já chega inflacionado, obrigando o repasse ao consumidor final. Como alternativa, a solução tem sido vender apenas os gomos em bandejas, numa tentativa de tornar o acesso menos pesado para o bolso do cliente.
Outro fator que contribuiu para a disparada foi o aumento da demanda. A jaca passou a ganhar espaço não só no consumo tradicional, mas também na gastronomia contemporânea, especialmente como substituto de carne em receitas vegetarianas e veganas. Esse novo interesse elevou a pressão sobre a produção, que não conseguiu acompanhar o ritmo da procura.
Além disso, fatores como entressafra e condições climáticas também impactaram diretamente a produtividade das jaqueiras, reduzindo a oferta no mercado. Com menos fruta disponível e mais gente querendo comprar, o resultado foi inevitável: preço nas alturas e escassez nas feiras.
O impacto é sentido diretamente pela população, que vê um alimento antes comum se transformar em luxo. Muitos consumidores relatam surpresa e até indignação com os novos valores, já que a jaca sempre foi vista como uma fruta acessível, presente no cotidiano do baiano.
Enquanto a próxima safra não chega e a produção não se normaliza, a expectativa é de que o preço continue elevado. O episódio reforça um alerta importante: até produtos considerados abundantes podem sofrer valorização extrema quando oferta e demanda saem do equilíbrio
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