Profissionais que atuam no Hospital Geral do Estado, em Salvador, afirmam estar há cerca de quatro meses sem receber pelos serviços prestados após a alteração no modelo de contratação adotado pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. A denúncia foi encaminhada ao portal Se Ligue Bahia por uma fonte que preferiu não se identificar.
De acordo com os relatos, os médicos eram contratados anteriormente pelo regime CLT, por meio da empresa responsável pela gestão de parte do corpo clínico em unidades estaduais, incluindo o HGE. Após um escândalo envolvendo suspeitas de desvio de recursos, os contratos teriam sido suspensos, provocando demissões em massa.
Com o encerramento dos vínculos, a Sesab lançou editais para recontratar os mesmos profissionais na modalidade pessoa jurídica. No entanto, segundo os médicos, o processo estaria enfrentando entraves burocráticos, alterações frequentes nos critérios e demora na validação das empresas prestadoras de serviço.
“Desde que fomos demitidos, estamos trabalhando sem receber. No meu caso e no da maioria dos colegas, a demissão aconteceu em outubro. Desde então, estamos sem salário como PJ.”
Ainda conforme a denúncia, as empresas abertas pelos profissionais já teriam encaminhado toda a documentação exigida à Sesab, incluindo comprovantes de atuação e notas fiscais referentes aos valores pendentes. Mesmo assim, até o momento não houve retorno oficial nem definição sobre pagamento.
“Já estamos indo para o quarto mês sem salário. Na prática, estamos trabalhando de graça. As contas não esperam: aluguel, plano de saúde, despesas básicas. Muitos médicos se formaram há pouco tempo, não têm reserva financeira e não possuem outro vínculo empregatício além do HGE.”
O cenário tem provocado insegurança e instabilidade financeira entre os profissionais, que relatam incerteza quanto ao recebimento dos valores retroativos.
“Você trabalha em fevereiro sem saber quando vai receber outubro, novembro, dezembro. Não há nenhuma previsão. Isso gera uma bola de neve.”
A situação, segundo a fonte, também estaria atingindo profissionais da enfermagem. Apesar do atraso nos pagamentos, as equipes seguem atuando normalmente, inclusive em período de alta demanda hospitalar, como o pré-Carnaval.
“É extremamente desconfortável vir trabalhar nessa condição. Enquanto isso, quem atua em cargos administrativos dentro da Sesab continua com salário garantido. O dinheiro foi solicitado, a nota foi enviada. A pergunta é: onde está esse recurso?”
Até o momento, não há posicionamento oficial divulgado sobre o caso.
