A manhã deste sábado começou com surpresa nada agradável para quem circulava por Ilhéus. Equipes do Detran-BA desembarcaram na cidade e realizaram blitzes em pontos estratégicos sem a participação da SUTRAM, órgão responsável pelo trânsito municipalizado.
A operação chamou atenção não apenas pela presença inesperada do órgão estadual, mas também pela forma como foi conduzida. Motoristas relataram que vias foram simplesmente interditadas, com desvio repentino do fluxo e longas filas. “Desviaram o trânsito do nada, causando transtorno para todo mundo. A gente não entende qual é o critério”, disse um condutor que foi pego de surpresa.
Vale ressaltar que o trânsito de Ilhéus é municipalizado, ou seja, qualquer ação de fiscalização deveria ser coordenada ou, no mínimo, comunicada previamente ao órgão municipal. Mas, segundo apuração inicial, não houve aviso formal nem parceria operacional com a SUTRAM.
O que mais revoltou muitos motoristas foi a postura considerada autoritária da operação, vista como uma intervenção direta do Governo do Estado da Bahia no trânsito da cidade, sem alinhamento com a gestão local. “A gente já vive um trânsito complicado. Quando aparece uma blitz surpresa dessas, sem critério e sem comunicação, o caos só aumenta”, comentou outro trabalhador.

A presença estadual em áreas municipalizadas reacende um velho debate: até onde vai o poder de fiscalização do Estado quando o município já administra o trânsito? Sem transparência e sem planejamento conjunto, sobra para o cidadão lidar com filas, multas inesperadas e mais estresse numa cidade que já enfrenta desafios diários na mobilidade urbana.
As blitzes seguiram pela manhã e deixaram um rastro de reclamações e indignações. A expectativa agora é que a Prefeitura se pronuncie e esclareça se houve autorização, comunicação prévia ou simplesmente intervenção unilateral do Estado em Ilhéus.
