Terceiro colocado na disputa presidencial, com 3.448.569 votos e 2,89% dos votos válidos, o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) afirmou, na noite de domingo (4), que pretende abandonar a política depois do resultado do primeiro turno das Eleições 2026.
Em entrevista concedida em Ribeirão Preto (SP), Cury declarou ter “100% de convicção” de que não continuará na vida política. Na mesma fala, porém, deixou aberta uma pequena fresta para o futuro.
“Hoje eu tenho claro dentro de mim 100% de convicção que eu não vou continuar na política. Amanhã ninguém sabe, mas eu costumo não mudar de opinião quando eu tenho uma convicção muito grande”, afirmou.
A declaração ganhou repercussão justamente porque Cury construiu boa parte de sua trajetória pública como autor de obras voltadas à superação, resiliência e perseverança. Seu livro mais conhecido, Nunca Desista de Seus Sonhos, tornou-se um fenômeno editorial: segundo a Paulus, a obra já ultrapassou 2,3 milhões de exemplares vendidos no Brasil.
O contraste é inevitável. Na literatura, Cury escreveu que desistir dos sonhos deveria ser uma palavra eliminada do vocabulário de quem deseja alcançar seus objetivos. Na política, após sua primeira disputa presidencial, o próprio autor afirma que não pretende continuar.
A diferença, naturalmente, está entre abandonar um sonho e concluir que determinado projeto chegou ao fim. O eleitor brasileiro agora terá de interpretar a declaração do candidato à luz de seus próprios resultados e de sua trajetória.
CURY DECIDE NÃO APOIAR LULA OU FLÁVIO
Além de anunciar a intenção de deixar a política, Cury decidiu não declarar apoio a nenhum dos dois candidatos que avançaram ao segundo turno: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O escritor afirmou que permanecerá em silêncio durante a segunda etapa da eleição e proibiu que seu nome ou o de seu vice, Júlio Delgado, seja utilizado para anunciar eventual apoio.
“Eu me silencio completamente em relação àqueles que estarão no segundo turno”, afirmou.
A posição tem peso político porque Cury terminou a primeira etapa em terceiro lugar, com mais de 3,4 milhões de votos. Os dois finalistas disputam agora a eleição marcada para 25 de outubro.
DO PALANQUE PARA O EXTERIOR
Pouco depois da eleição, Cury deixou o Brasil. Segundo informações divulgadas pelo colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, o escritor viajou para a Europa na tarde de segunda-feira (5), em uma viagem tratada como férias por pessoas próximas, e deve retornar ao país na próxima semana.
A viagem alimentou comentários nas redes sociais sobre um possível retorno definitivo ao exterior. Até o momento, porém, não há confirmação pública confiável de que Cury tenha decidido deixar o Brasil em definitivo ou que resida no exterior há décadas.
O que existe é uma trajetória internacional consolidada. Cury tem livros publicados em mais de 70 países, milhões de exemplares vendidos e formação acadêmica que inclui doutorado pela Florida Christian University. Sua atuação profissional, entretanto, também permanece fortemente vinculada ao Brasil.
Por isso, transformar a viagem em uma suposta mudança definitiva de residência seria, neste momento, ir além do que os fatos permitem afirmar.
UM PROJETO QUE TERMINA OU APENAS UMA PAUSA?
Cury entrou na eleição presidencial de 2026 como estreante na política partidária e terminou a primeira rodada em terceiro lugar. O resultado não o levou ao segundo turno, mas lhe deu mais de três milhões de votos.
Agora, o escritor afirma que pretende voltar aos seus projetos e deixar a política.
Resta uma questão que somente o tempo poderá responder: a decisão anunciada em Ribeirão Preto representa realmente o fim da experiência política de Augusto Cury ou apenas o encerramento de um capítulo?
Curiosamente, a resposta talvez esteja no próprio livro que ajudou a construir sua fama: para quem escreveu “Nunca Desista de Seus Sonhos”, desistir pode significar apenas mudar o caminho.
O Brasil, por enquanto, terá de esperar para descobrir se Cury encerrou definitivamente seu projeto político ou se, como ele mesmo admitiu, “amanhã ninguém sabe”.
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