O segundo turno da eleição presidencial colocou a Bahia no centro da estratégia de Flávio Bolsonaro (PL). Nesta quarta-feira (7), o candidato recebeu o apoio público de ACM Neto (União Brasil), segundo colocado na disputa pelo Governo da Bahia no primeiro turno e uma das principais lideranças da oposição baiana.
O movimento ocorre depois que União Brasil e Progressistas decidiram apoiar formalmente Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. A decisão foi tomada em reunião da cúpula das duas legendas em Brasília e contou com a participação de ACM Neto, vice-presidente nacional do União Brasil.
Nesta quarta, ao lado de Flávio, Neto afirmou que levará o apoio para a Bahia e anunciou uma mobilização de seu grupo político em favor do candidato do PL.
“Todos nós do União Brasil fechamos questão em torno do apoio à candidatura de Flávio à Presidência. Falo também aqui em nome do quarto maior colégio eleitoral do Brasil, que é a Bahia”, declarou.
Neto afirmou ainda que pretende envolver prefeitos aliados, deputados federais eleitos e candidatos que participaram do primeiro turno na campanha presidencial.
“Todos nós estaremos motivados, mobilizados e trabalhando a partir de hoje pela campanha de Flávio Bolsonaro para presidente”, afirmou.
A IMPORTÂNCIA DA BAHIA
A Bahia possui um dos maiores eleitorados do país e terminou o primeiro turno presidencial como um dos estados em que a disputa nacional terá forte peso político. Para Flávio Bolsonaro, conquistar maior votação no estado significa tentar reduzir a vantagem historicamente construída pelo campo petista na Bahia.
Para ACM Neto, o apoio também representa uma mudança importante na dinâmica política após o resultado estadual. Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador no primeiro turno, com 55,80% dos votos válidos, enquanto Neto terminou em segundo, com 43,72%.
É justamente essa votação que coloca o ex-prefeito de Salvador em posição relevante na estratégia de Flávio: Neto mantém uma estrutura política formada por prefeitos, lideranças municipais, deputados e aliados que participaram diretamente da eleição estadual.
A intenção declarada agora é transferir parte dessa estrutura para a disputa presidencial.
APOIO POLÍTICO OU NEGOCIAÇÃO PARA O FUTURO?
A aproximação entre ACM Neto e Flávio Bolsonaro também vem acompanhada de especulações sobre uma possível participação do grupo político baiano em um eventual governo do candidato do PL.
O veículo Política Livre informou que Neto e o prefeito de Salvador, Bruno Reis, estiveram em Brasília em meio a conversas envolvendo apoio político e possíveis espaços ministeriais em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Segundo a publicação, uma das possibilidades discutidas envolveria uma pasta relacionada à infraestrutura hídrica ou obras, com a possibilidade de Neto assumir o ministério.
Até o momento, entretanto, não há confirmação oficial de que ACM Neto ocupará qualquer ministério. A informação deve ser tratada como uma possibilidade em negociação, e não como um acordo fechado.
O que está confirmado é o apoio político.
Flávio Bolsonaro ganhou o respaldo formal de União Brasil e Progressistas, enquanto ACM Neto anunciou que pretende colocar seu grupo político na campanha presidencial na Bahia.
UMA NOVA DISPUTA PELO ELEITORADO BAIANO
O movimento abre uma nova frente na eleição presidencial. De um lado, o grupo de Jerônimo Rodrigues, reeleito governador, declarou alinhamento com a candidatura de Lula. Do outro, ACM Neto e a oposição baiana passam a atuar pela candidatura de Flávio Bolsonaro.
A Bahia, portanto, volta ao centro da disputa nacional.
Mais do que uma declaração de apoio, a movimentação de ACM Neto coloca sua estrutura política estadual à disposição da campanha presidencial e transforma o segundo turno em uma nova disputa pelo eleitorado baiano.
O resultado dessa mobilização, porém, será definido somente nas urnas.
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