O influenciador digital Rico Melquiades tornou-se alvo de investigação do Ministério Público Eleitoral de Alagoas após publicar um vídeo em que questiona funcionárias sobre suas preferências políticas e ameaça demitir uma delas depois de associá-la ao Partido dos Trabalhadores (PT).
O episódio ocorreu em um vídeo publicado nas redes sociais no sábado (12). Nas imagens, Rico aparece ao lado de quatro funcionárias e pergunta quem paga os salários delas. Em seguida, passa a questioná-las sobre posicionamento político e afirma que não quer uma pessoa ligada ao PT trabalhando em sua casa.
Ao identificar uma das trabalhadoras como petista, o influenciador afirma que ela está demitida e determina que recolha seus pertences.
MP ELEITORAL ACIONA POLÍCIA FEDERAL
O Ministério Público Eleitoral instaurou procedimento para apurar possível prática de coação eleitoral e informou que encaminhará o caso à Polícia Federal para investigação na esfera criminal.
Segundo o órgão, a conduta pode, em tese, ser analisada à luz do artigo 301 do Código Eleitoral, que criminaliza o uso de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido, ainda que o objetivo não seja efetivamente alcançado.
Para o procurador regional eleitoral de Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, a relação de trabalho não pode ser utilizada para pressionar escolhas políticas.
O Ministério Público considera especialmente relevante a existência de uma relação de dependência econômica entre empregador e trabalhador.
MPT TAMBÉM INVESTIGA
O caso também chegou ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que instaurou um inquérito civil para apurar eventual ocorrência de assédio moral no ambiente de trabalho.
A investigação trabalhista poderá avaliar as circunstâncias do episódio e adotar, conforme as conclusões da apuração, as medidas administrativas ou judiciais consideradas cabíveis.
As duas investigações são independentes: uma examina possível repercussão eleitoral da conduta e outra avalia aspectos relacionados à relação de trabalho.
CASO GANHOU REPERCUSSÃO NAS REDES
O vídeo rapidamente viralizou e provocou reação nas redes sociais. Rico, que possui milhões de seguidores, passou a receber críticas e também relatou posteriormente estar preocupado com ameaças recebidas após a repercussão do episódio.
Rico chegou a lançar uma pré-candidatura a deputado federal por Alagoas pelo PSDB em 2026, mas desistiu da disputa em julho, alegando compromissos profissionais e incompatibilidade com contrato firmado com uma emissora de televisão.
INVESTIGAÇÃO NÃO É CONDENAÇÃO
Apesar da repercussão, Rico Melquiades não foi condenado e não há, até o momento, decisão judicial reconhecendo a prática do crime.
A Polícia Federal deverá apurar os fatos e reunir elementos para esclarecer o que ocorreu. Eventual responsabilização dependerá do resultado das investigações e das decisões das autoridades competentes.
O episódio, entretanto, coloca novamente no centro do debate a proteção à liberdade de escolha do eleitor e os limites da relação entre empregadores e trabalhadores durante o período eleitoral.
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