Em 12 de outubro de 1992, um dos homens mais importantes da história política brasileira desapareceu no mar durante um acidente de helicóptero. Mais de três décadas depois, Ulysses Guimarães continua sendo a única das cinco vítimas da tragédia cujo corpo jamais foi localizado.
O helicóptero que transportava Ulysses, sua esposa, Mora Guimarães, o ex-senador Severo Gomes, a esposa dele, Henriqueta, e o piloto Jorge Comeratto decolou de Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, com destino a São Paulo. Durante o trajeto, em meio a condições de mau tempo, a aeronave caiu no mar, na região entre Paraty e Ubatuba.
A tragédia foi confirmada nos dias seguintes. Os destroços da aeronave foram localizados, assim como os corpos de Mora Guimarães, Severo Gomes, Henriqueta Gomes e Jorge Comeratto. Ulysses, porém, nunca foi encontrado. A própria Câmara dos Deputados registra oficialmente que ele morreu em decorrência do acidente e que seu corpo jamais foi localizado.
Na época, o desaparecimento provocou enorme comoção nacional. Registros do Congresso Nacional mostram que, nos primeiros dias após o acidente, ainda havia expectativa de que Ulysses pudesse ter sobrevivido. Enquanto os corpos das demais vítimas eram identificados, as buscas pelo deputado continuavam.
O caso também apresentou uma particularidade jurídica. Como não havia corpo para a emissão convencional do atestado de óbito, a morte de Ulysses foi reconhecida judicialmente por presunção. Registros posteriores da Câmara dos Deputados mencionam que a morte presumida foi decretada pelo juiz de Angra dos Reis, permitindo inclusive a regularização de sua situação parlamentar.
A Presidência da República formalizou posteriormente o reconhecimento de sua morte. Em 23 de outubro de 1992, o então presidente Itamar Franco decretou oito dias de luto oficial em todo o país e concedeu a Ulysses Guimarães as honras e prerrogativas de chefe de Estado.

O acidente encerrou de forma trágica a trajetória de um político que havia marcado profundamente a redemocratização brasileira. Ulysses foi deputado federal por 11 mandatos, presidiu a Câmara dos Deputados e comandou a Assembleia Nacional Constituinte durante a elaboração da Constituição de 1988. Também se tornou um dos principais líderes da campanha pelas eleições diretas para presidente, o movimento que lhe rendeu o apelido de “Senhor Diretas”.
O episódio permanece, portanto, como uma das histórias mais marcantes da política brasileira: a morte de Ulysses Guimarães é oficialmente reconhecida, mas seus restos mortais nunca foram encontrados.
O que aconteceu exatamente com seu corpo depois da queda permanece sem resposta. A Câmara dos Deputados, o Senado e outras instituições públicas continuam registrando o acidente como a causa de sua morte, mas não existe, nas fontes oficiais consultadas, qualquer confirmação de que ele tenha sobrevivido ou de que seu desaparecimento tenha resultado de outro fator além da tragédia aérea.
Passadas mais de três décadas, permanece a imagem de um dos maiores líderes da redemocratização brasileira desaparecendo no mar sem que seus restos mortais jamais fossem recuperados. Ulysses Guimarães morreu oficialmente em 12 de outubro de 1992. Seu corpo, porém, continua desaparecido.

