A Bahia lidera o Brasil na participação de mulheres pretas e pardas entre as candidaturas femininas nas Eleições Gerais de 2026. O levantamento, elaborado pelo jornal O Globo a partir de informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o estado apresenta o maior percentual do país nesse recorte racial e de gênero.
Entre as candidatas baianas consideradas no levantamento, 126 se autodeclararam pretas, correspondendo a 30,29% das candidaturas femininas. A Bahia é o único estado brasileiro em que a participação de mulheres pretas ultrapassa a marca de 30% entre as candidatas.
Quando são consideradas conjuntamente as mulheres pretas e pardas, o percentual chega a 80,05%. Em números absolutos, são 333 mulheres negras entre 416 candidatas incluídas nesse recorte do levantamento.
BAHIA FICA À FRENTE DE OUTROS ESTADOS
A distância em relação aos demais estados é significativa.
O Piauí aparece na segunda colocação, com 71,85% de candidaturas femininas de mulheres pretas e pardas. Na sequência estão Tocantins (71,08%), Amapá (70,25%) e Acre (70,22%).
O resultado coloca a Bahia em posição de destaque nacional no quesito diversidade racial entre as mulheres que disputam cargos eletivos em 2026.
REPRESENTATIVIDADE ACOMPANHA PERFIL DA POPULAÇÃO BAIANA
Os números eleitorais também refletem, em grande medida, a composição racial da população feminina da Bahia.
De acordo com dados do Censo 2022, mais de 57% das mulheres baianas se autodeclararam pardas, enquanto aproximadamente 22% se declararam pretas. Somadas, as duas categorias representam mais de 79% da população feminina do estado.
O cenário ajuda a contextualizar a elevada participação de mulheres negras entre as candidaturas baianas, embora representação demográfica e representação política não sejam equivalentes.
MULHERES AINDA SÃO MINORIA ENTRE AS CANDIDATURAS
Apesar do destaque da Bahia no recorte racial, os dados nacionais mostram que a participação feminina ainda está abaixo da proporção de mulheres na população brasileira.
Dados divulgados pelo TSE para orientar a distribuição de recursos eleitorais consideraram 20.560 candidaturas, das quais 7.165 eram de mulheres, equivalente a 34,85%, contra 65,15% de candidaturas masculinas.
No mesmo levantamento, o TSE contabilizou 10.206 candidaturas de pessoas negras, correspondentes a 49,64% do total. Para a Justiça Eleitoral, a categoria negra reúne pessoas autodeclaradas pretas e pardas.
É preciso observar que esses números do TSE têm um recorte específico: consideram os pedidos de registro aceitos até 18 de agosto de 2026 para fins de cálculo da distribuição de recursos. As estatísticas gerais de candidaturas continuam sendo atualizadas pela Justiça Eleitoral.
AVANÇO NA REPRESENTAÇÃO NÃO SIGNIFICA IGUALDADE DE PODER
O crescimento da presença de mulheres negras nas listas eleitorais é um dado relevante, mas não significa, por si só, maior representação efetiva nos espaços de poder.
Um levantamento nacional do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), realizado em parceria com a CommonData e baseado em dados do TSE, aponta que as mulheres negras representam 18,2% de todas as candidaturas em 2026. O estudo também identificou crescimento bastante limitado da participação feminina e das mulheres negras em relação a 2022.
A diferença entre ser candidata e ser eleita é fundamental. Uma maior presença nas urnas amplia a representatividade da disputa, mas o acesso efetivo aos mandatos depende também de financiamento, estrutura partidária, votos e capacidade de transformar candidaturas em representação institucional.
Na Bahia, entretanto, os números de 2026 colocam o estado no topo do ranking nacional quando o assunto é a presença de mulheres pretas e pardas entre as candidaturas femininas.
A Bahia já tem uma maioria negra entre sua população. Agora, os dados eleitorais mostram outro fenômeno: as mulheres negras também ocupam posição de destaque entre as candidaturas. O próximo desafio é transformar presença eleitoral em representação efetiva nos espaços de decisão.
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