O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo, anunciou que deixou o país acompanhado da esposa e dos três filhos em meio a uma investigação criminal que envolve suspeitas de tráfico de substâncias controladas e organização criminosa. O magistrado afirma que decidiu sair do território boliviano por temer pela própria segurança e pela vida de seus familiares.
A saída foi anunciada na quarta-feira (4), um dia depois da emissão de uma ordem de prisão contra Saucedo. O Ministério Público boliviano confirmou a existência do mandado e informou que trabalha para solicitar à Interpol uma notificação vermelha, mecanismo utilizado para localizar pessoas procuradas internacionalmente. Bolivia+1
Magistrado denuncia perseguição política
Em manifestações públicas, Saucedo afirmou que está sendo alvo de perseguição política e acusou integrantes do governo de tentar utilizar o sistema judicial para fabricar acusações contra adversários. Ele declarou que decidiu deixar a Bolívia diante do que considera uma ameaça à sua liberdade e à segurança de sua família.
O governo do presidente Rodrigo Paz nega perseguição política. As autoridades sustentam que a investigação segue os procedimentos legais e está relacionada a suspeitas de envolvimento em atividades criminosas. ANF Agencia de Noticias Fides Bolivia+1
Autoridades ainda tentam confirmar seu paradeiro
Embora Saucedo tenha declarado que deixou a Bolívia, a Polícia informou que não encontrou registro de saída do magistrado pelos postos oficiais de fronteira. O comandante-geral da corporação afirmou que as equipes continuam trabalhando para determinar se ele permanece no território boliviano ou se deixou o país por uma passagem não regular.
O Ministério Público também informou que o caso está sob reserva temporária, em razão da existência de testemunhas protegidas. La Razón+1
A investigação integra um contexto mais amplo de apurações sobre possíveis relações entre integrantes do sistema de Justiça boliviano e atividades ligadas ao narcotráfico. A situação provoca repercussão política e institucional, especialmente por envolver o próprio presidente da mais alta corte de Justiça do país.
Até o momento, as suspeitas contra Saucedo não representam uma condenação judicial. O magistrado nega as acusações e sustenta que é vítima de perseguição.
