Um levantamento divulgado em agosto de 2026 pelo Instituto Nossa Ilhéus, com metodologia da Transparência Internacional – Brasil, apresenta um diagnóstico sobre transparência, governança pública e participação cidadã nas administrações municipais. A terceira edição do Índice de Transparência e Governança Pública Municipal (ITGP-M) avaliou 78 municípios baianos de cinco territórios de identidade, considerando informações disponibilizadas nos portais oficiais das prefeituras.
O resultado regional foi de 32,6 pontos em uma escala de zero a 100, classificação considerada ruim. Nenhum dos 78 municípios alcançou a faixa ótima. Apenas duas prefeituras chegaram ao nível bom: Itapitanga, com 76,1 pontos, e Itajuípe, com 60,1. Outras 21 ficaram na faixa regular, 40 foram classificadas como ruins e 15 como péssimas.
Obras públicas concentram o pior resultado
Entre as seis dimensões do módulo geral, a transparência relacionada às obras públicas apresentou o desempenho mais baixo, com média regional de 14,7 pontos, considerada péssima.
Nesse quesito, o levantamento verifica se as prefeituras divulgam informações fundamentais sobre as obras contratadas, como objeto, valor, empresa responsável, prazo de execução, situação atual, atrasos e eventuais paralisações. Também considera a disponibilidade de informações sobre execução orçamentária e etapas dos empreendimentos.
A dimensão administrativo e governança registrou média regional de 27,6 pontos. Já transparência financeira e orçamentária alcançou 39,6 pontos. A dimensão legal ficou em 19,2, enquanto comunicação, engajamento e participação popular registrou 23 pontos.
O melhor resultado regional foi observado na dimensão plataformas, com 71,6 pontos. Esse indicador considera a existência e a acessibilidade de portais da transparência, dados abertos, ouvidorias e canais para solicitações de informações e denúncias.
E quais foram os resultados de Ilhéus?
No levantamento de 2026, Ilhéus recebeu avaliações específicas em dois módulos temáticos. Na área de Saúde, o município alcançou 47,5 pontos. Já no módulo de Adaptação Climática, obteve 55,2 pontos, ocupando a primeira colocação entre os 78 municípios avaliados nessa dimensão.
É importante destacar que essas pontuações são resultados de módulos separados e não representam a nota geral da Prefeitura de Ilhéus. O módulo geral possui classificação própria, formada pelas seis dimensões de transparência e governança. A divulgação consultada pelo Instituto Nossa Ilhéus apresenta o diagnóstico regional, mas não informa, no texto da publicação, a pontuação geral individual de Ilhéus. Por isso, esse número precisa ser conferido na base completa do ranking antes de ser divulgado.
O que a avaliação revela sobre a administração pública?
O ITGP-M não mede diretamente a qualidade dos serviços oferecidos à população, nem determina se uma gestão é boa ou ruim em termos de entregas. Seu objetivo é verificar se as informações públicas estão disponíveis, organizadas e acessíveis para que a sociedade possa acompanhar as decisões e a utilização dos recursos municipais.
Mesmo com essa limitação, os resultados levantam questões importantes sobre planejamento, transparência, acompanhamento de contratos, execução de obras e capacidade de prestação de contas. Afinal, não basta uma prefeitura possuir um portal de transparência: é necessário que o cidadão consiga encontrar informações completas e compreender o que está sendo realizado com o dinheiro público.
Em Ilhéus, o debate sobre a eficiência da administração municipal também passa pela continuidade dos serviços, pela organização das secretarias, pela capacidade técnica das equipes e pelos resultados efetivamente entregues à população.
A pergunta que fica é: a estrutura administrativa do município está conseguindo responder às necessidades de Ilhéus e oferecer à população informações claras sobre suas ações?
