Um movimento de boicote a destinos turísticos do Nordeste ganhou repercussão nas redes sociais após o resultado das eleições presidenciais de 2026. Influenciadores digitais e usuários identificados com posicionamentos políticos de direita passaram a publicar declarações anunciando que pretendem deixar de viajar para estados nordestinos como forma de reação ao resultado das urnas.
Entre as manifestações que ganharam destaque está a de pessoas que afirmaram ter desistido de viagens programadas para a região, incluindo hospedagens em resorts e destinos turísticos da Bahia. Uma influenciadora chegou a divulgar um vídeo anunciando o cancelamento de uma viagem em família e pedindo sugestões de destinos nas regiões Sul e Sudeste.
A repercussão provocou reação do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur), que publicou uma nota de repúdio às manifestações de intolerância e aos ataques direcionados ao Nordeste e à sua população.

No posicionamento, a entidade destacou que divergências políticas não devem ser utilizadas como justificativa para hostilizar uma região inteira. O fórum também alertou para as consequências econômicas de iniciativas desse tipo, lembrando que milhares de trabalhadores, empresários e famílias dependem diretamente do turismo.
A discussão também ganhou força após denúncias envolvendo cancelamentos de voos com destino ao Nordeste às vésperas do segundo turno das eleições. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) registrou quatro cancelamentos entre os dias 24 e 25 de outubro, envolvendo operações da Gol, Azul e Latam.
O episódio levantou suspeitas nas redes sociais sobre uma possível motivação eleitoral. Entretanto, não foram encontradas evidências que comprovassem a existência de um boicote organizado pelas companhias aéreas. As empresas atribuíram as ocorrências a problemas técnicos, condições meteorológicas e questões operacionais. A própria Anac informou que não identificou anormalidades no fluxo aéreo nacional.
Apesar da repercussão das manifestações, ainda não há levantamento oficial de entidades representativas do setor que comprove um aumento generalizado no cancelamento de pacotes turísticos motivado por divergências políticas.
O debate chama atenção para a importância econômica do turismo nordestino, que movimenta hotéis, pousadas, restaurantes, transportadoras, comerciantes, trabalhadores autônomos e diversos outros segmentos.
A discussão ultrapassa o campo político e levanta questionamentos sobre os efeitos que disputas eleitorais podem provocar em uma atividade econômica da qual milhares de famílias brasileiras dependem.
