Aldo Rebelo, que comandou quatro ministérios nos governos petistas, e Roberto Mangabeira Unger, ex-ministro de Assuntos Estratégicos de Lula, aderem à candidatura do senador e podem participar de um eventual governo do PL.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ganhou um reforço político de peso nesta reta final do segundo turno presidencial. Dois ex-ministros que ocuparam cargos estratégicos nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff declararam apoio ao senador: Aldo Rebelo e Roberto Mangabeira Unger.
A adesão foi formalizada durante uma reunião reservada realizada em São Paulo, na quarta-feira (21), e representa um movimento politicamente significativo. Os dois nomes possuem trajetória na administração federal e experiência em áreas estratégicas do Estado brasileiro.
Aldo Rebelo, um dos antigos aliados de Lula, chegou a ocupar quatro ministérios nos governos petistas. Mangabeira Unger, por sua vez, foi ministro de Assuntos Estratégicos durante o segundo mandato do presidente.
O apoio dos ex-ministros fortalece a tentativa de Flávio de ampliar sua interlocução para além do eleitorado tradicional do bolsonarismo, atraindo quadros com experiência administrativa e influência no debate intelectual e político nacional.
ALDO REBELO: DE QUATRO MINISTÉRIOS PETISTAS À CAMPANHA DE FLÁVIO
A trajetória de Aldo Rebelo ajuda a dimensionar o significado político da adesão.
O jornalista e ex-deputado federal foi ministro da Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais no governo Lula, entre 2004 e 2005. Durante a gestão Dilma Rousseff, comandou os ministérios do Esporte, da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Defesa.
Sua passagem por diferentes áreas da administração federal lhe conferiu experiência em articulação política, políticas esportivas, desenvolvimento científico e defesa nacional.
Em 2026, Aldo chegou a ser lançado como pré-candidato à Presidência pelo Democracia Cristã (DC), mas não levou o projeto adiante. Posteriormente, participou da coordenação da campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD).
Agora, seu apoio a Flávio Bolsonaro abre uma nova etapa de seu posicionamento político.
Segundo informações publicadas pela Band, Aldo é cotado por aliados do senador para assumir o Ministério do Meio Ambiente em um eventual governo do PL. A possibilidade, entretanto, não representa uma nomeação confirmada.
MANGABEIRA UNGER PODE CONTRIBUIR NA ESTRATÉGIA NACIONAL
O segundo nome também carrega experiência no núcleo do governo petista.
Roberto Mangabeira Unger, jurista, filósofo e professor de Harvard, foi ministro de Assuntos Estratégicos entre 2007 e 2009, durante o segundo mandato de Lula. Na função, trabalhou em propostas relacionadas ao planejamento estratégico e à modernização da estrutura de defesa brasileira.
De acordo com a Band, a possibilidade de participação de Mangabeira em um eventual governo Flávio também foi discutida. A ideia seria aproveitar sua experiência intelectual em uma função de assessoramento presidencial voltada a assuntos estratégicos e relações internacionais.
Assim como no caso de Aldo Rebelo, não há confirmação de nomeação. As possibilidades mencionadas refletem conversas e articulações relatadas por pessoas próximas à campanha.
APOIO COM SIGNIFICADO POLÍTICO
A chegada dos dois ex-ministros reforça a estratégia de Flávio Bolsonaro de apresentar sua candidatura como capaz de reunir nomes de diferentes trajetórias políticas e profissionais.
O movimento também chama atenção pelo contraste entre o passado dos apoiadores e sua decisão no atual cenário eleitoral. Ambos já participaram de governos liderados pelo PT, mas agora se alinham ao adversário de Lula na disputa presidencial.
Isso não significa, automaticamente, que representem a posição de todos os antigos aliados do presidente ou que sua adesão determine uma transferência expressiva de votos. O impacto eleitoral dependerá da capacidade da campanha de transformar o apoio político em adesões concretas entre os eleitores.
Ainda assim, a presença de ex-integrantes de governos petistas no campo adversário amplia o debate sobre alianças, divergências e os rumos políticos do país.
Na reta final do segundo turno, cada apoio de relevância nacional passa a ser observado não apenas pelo número de votos que pode mobilizar, mas também pelo significado que carrega.
O dado político central é incontestável: dois ex-ministros que integraram governos do PT agora apoiam o candidato que tenta impedir a continuidade de Lula no Palácio do Planalto.
A eleição se aproxima da decisão final, e a disputa por apoios, credibilidade e capacidade de governar segue aberta.
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