Uma investigação conduzida pela Polícia Civil da Bahia e pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) chegou a um cabo do Exército suspeito de negociar munições, granadas e armas com integrantes de organizações criminosas em Salvador. O caso ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo.
O militar investigado é Deivison dos Santos Ferreira, lotado no 6º Batalhão de Polícia do Exército, em Salvador. Segundo os investigadores, ele teria negociado aproximadamente mil munições de fuzil dos calibres 5,56 e 7,62 para um dos grupos criminosos investigados, além de participar de tratativas envolvendo granadas e armas de fogo.
INVESTIGAÇÃO COMEÇOU COM OPERAÇÃO CONTRA O TRÁFICO
O nome do cabo surgiu durante uma investigação iniciada após uma operação realizada em abril, em Itapuã, onde policiais encontraram um imóvel utilizado por criminosos para armazenamento e preparação de drogas.
Com autorização judicial, os investigadores analisaram celulares apreendidos no local. Em um dos aparelhos foram encontradas conversas com um contato identificado inicialmente por um símbolo de extraterrestre. O cruzamento dos dados permitiu, segundo a investigação, identificar o militar.
As mensagens registrariam negociações envolvendo quantidade, valores e entrega de munições de uso restrito. O contato também teria fornecido dados pessoais e uma chave Pix, elementos utilizados pelos investigadores para chegar à identidade do suspeito.
ORIGEM DO MATERIAL É UM DOS PONTOS CENTRAIS
Uma das principais linhas investigativas é descobrir de onde vieram as munições e outros materiais negociados.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, os investigadores apuram a hipótese de que parte do material possa ter sido retirada durante treinamentos militares. A suspeita é de que eventuais sobras deveriam retornar ao paiol, mas registros de estoque poderiam ter sido alterados para ocultar possíveis desvios.
Conversas analisadas também fariam referência a treinamentos realizados em Paulo Afonso e à possibilidade de obtenção de novos materiais posteriormente. A origem efetivamente comprovada das armas, munições e granadas ainda está sendo investigada.
REINO OCULTO PRENDE 33 SUSPEITOS
A apuração integra a Operação Reino Oculto, deflagrada em 10 de setembro pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC) da Polícia Civil, com participação do MP-BA e apoio de forças de segurança de diferentes estados.
A operação resultou em 33 prisões e atingiu alvos na Bahia, Sergipe, São Paulo e Espírito Santo. Segundo a investigação, o grupo teria movimentado mais de R$ 4 milhões em atividades relacionadas ao tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Durante a ofensiva, foram apreendidos cerca de 17 quilos de drogas, além de armas, munições, veículos, celulares e mais de R$ 83 mil em dinheiro. A investigação aponta uma estrutura interestadual de distribuição de entorpecentes e aquisição de armamentos.
MILITAR JÁ ESTAVA PRESO
Deivison dos Santos Ferreira já estava preso preventivamente desde agosto por determinação da Justiça Militar, em uma investigação distinta relacionada ao desaparecimento de coletes balísticos. Ele permanece custodiado em unidade militar e à disposição da Justiça.
A defesa nega as acusações e trabalha para revogar as prisões. Até o momento, o militar é investigado e não possui condenação definitiva pelos fatos apurados.
A Polícia Civil e o Ministério Público continuam investigando a possível participação de outras pessoas, a origem dos materiais e a extensão do suposto esquema de fornecimento de armamentos ao crime organizado.
O caso coloca sob escrutínio os mecanismos de controle de armamentos e munições dentro das estruturas militares e levanta uma questão central para a investigação: como materiais de uso restrito teriam chegado ao mercado ilegal e às mãos de organizações criminosas.
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