O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar repercussão ao sugerir uma mudança no mapa dos Estados Unidos. Neste domingo (6), Trump publicou em sua rede social Truth Social uma imagem na qual o nome “Mexico”, de New Mexico (Novo México), aparece riscado e substituído por “America”, transformando o nome do estado em “New America”, ou “Nova América”. A Casa Branca posteriormente republicou a imagem em sua conta oficial no X.
Na publicação, Trump afirmou que “muitas pessoas” teriam sugerido a mudança e classificou “Nova América” como um nome “muito mais prestigioso e bonito” para o estado. O presidente encerrou a mensagem declarando seu entusiasmo com a ideia.
Apesar da repercussão, não há uma mudança oficial de nome em andamento anunciada pelo governo federal americano. A publicação de Trump foi uma sugestão política feita nas redes sociais, e não uma decisão administrativa ou uma ordem executiva.
A diferença é fundamental. Ao contrário de determinadas alterações de denominação de acidentes geográficos sob competência federal, o presidente dos Estados Unidos não possui autoridade constitucional para simplesmente alterar, por decreto, o nome de um estado. Uma mudança dessa natureza dependeria de procedimentos próprios envolvendo o estado e o Congresso americano.
A governadora do Novo México, Michelle Lujan Grisham, rejeitou imediatamente a proposta. Segundo declarações reproduzidas pela imprensa americana, ela afirmou que o nome do estado não está em discussão e destacou que sua denominação possui raízes históricas anteriores à própria criação dos Estados Unidos.
O episódio ocorre em meio a uma sequência de iniciativas e sugestões de Trump envolvendo a alteração de nomes geográficos. Em 2025, o presidente determinou a adoção, pelo governo federal americano, da denominação “Golfo da América” para o Golfo do México. Mais recentemente, Trump também determinou a mudança do nome do Lago Ontário para “Lago América”, em meio às tensões comerciais com o Canadá.
Na semana passada, o presidente ainda sugeriu, em meio à guerra envolvendo o Irã, que o Estreito de Hormuz fosse chamado de “Estreito Trump”. Posteriormente, indicou que a proposta não deveria necessariamente ser levada a sério.
A nova provocação envolvendo o Novo México também ganhou força nas redes sociais porque surgiu acompanhada de uma série de publicações de Trump, algumas delas com imagens produzidas ou manipuladas digitalmente e mensagens de forte conteúdo político.
O Novo México, portanto, continua oficialmente sendo New Mexico. Até o momento, não há decreto presidencial, votação legislativa ou procedimento formal que tenha alterado o nome do estado.
A proposta de “Nova América” permanece, por enquanto, no campo da declaração política e da provocação nas redes sociais — mais um capítulo da estratégia de Trump de disputar também o significado simbólico dos nomes utilizados na geografia americana.
E há uma ironia histórica na proposta: o nome “Novo México” não é uma homenagem ao atual país do México criada recentemente. A denominação possui raízes na tradição colonial espanhola e antecede a própria formação dos Estados Unidos. Mudar o nome de um estado, portanto, não seria apenas apagar uma palavra de um mapa, mas mexer em séculos de história e identidade regional.
