O 7 de Setembro não é feito apenas de desfiles oficiais. Nas ruas, o Grito dos Excluídos e Excluídas transforma a Independência em um grande espaço democrático de manifestação popular.
A característica mais marcante está nas faixas e cartazes, muitos pintados à mão, carregando palavras de ordem que expressam indignação, cobranças e reivindicações. Em 2026, aparecem entre as pautas do movimento o fim da escala 6×1, moradia digna, trabalho, educação pública, defesa do SUS, reforma agrária, soberania nacional e combate à violência contra as mulheres.
Mas o protesto também abre espaço para críticas mais diretas à política e às instituições. É justamente aí que a rua ganha sua força: “Lula, cadê a picanha?”, “Não queremos auxílio, queremos trabalho”, cobranças relacionadas ao escândalo do INSS e ao caso Lulinha, críticas a Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro e ao Congresso, além de mensagens contra privilégios, juros elevados, combustíveis caros e o custo de vida.
São frases que não precisam passar pelo filtro de um gabinete. São escritas em cartazes, levantadas no meio da multidão e apresentadas publicamente como expressão daqueles que participam do ato.
O Grito dos Excluídos, realizado desde 1995, ocupa justamente esse espaço: o direito de protestar, discordar, cobrar e criticar, independentemente de quem esteja no governo ou no poder. Em uma democracia, a rua também é lugar de fala.
Enquanto autoridades acompanham os desfiles das arquibancadas, o povo leva para o asfalto aquilo que considera urgente. Papel, tinta e indignação continuam sendo instrumentos poderosos de participação popular.
NO 7 DE SETEMBRO, A BANDEIRA É OFICIAL. MAS O CARTAZ É DO POVO.
